Bauru

Política

Situação do Batalha faz vereadores exigirem ação rápida da prefeitura

Seja com novos pontos de captação ou com privatização do DAE, Câmara quer mais ação e rapidez do governo municipal

por Tânia Morbi e Tisa Moraes

17/11/2021 - 05h00

Todos falaram sobre a falta de água e cobraram soluções

Todos os vereadores que usaram a tribuna da Câmara durante a sessão desta terça-feira (16) cobraram do Executivo municipal uma solução imediata para a falta d'água que afeta cerca de 40% da população bauruense, abastecida pelo sistema do Rio Batalha. Vários apontaram opções de captação superficial, outros sugeriram mais poços e ainda que água seja buscada no Rio Tietê.

Na última sexta-feira (12), a Prefeitura de Bauru decretou situação de emergência hídrica por conta do baixo nível da Lagoa de Captação do Rio Batalha. Até esta terça, era mantido o sistema de revezamento de 24h por 72h entre quatro regiões da cidade, que vinham recebendo água por um dia e passando outros três dias desabastecidas. (leia mais abaixo)

Eduardo Borgo (PSL) destacou o sofrimento da população por ficar sem água. Ele lembrou que a região onde mora tinha problemas, que foi resolvido com a instalação de um poço por uma empresa, como contrapartida para a construção de um edifício na região.

Marcelo Afonso (Patriota) seguiu mostrando o que considera opções para captação de água. Desta vez, foi em um ponto do Rio Batalha, na divisa entre Bauru e Piratininga.

O presidente da Mesa, Markinho Souza (PSDB), foi taxativo para cobrar do Departamento de Água e Esgoto (DAE) que estabeleça um prazo para resolver o problema, com o início do projeto de captação de água em outros rios da região, mesmo que tenha que buscar por financiamento para a obra. "O que não dá mais é para aceitar a população ficar sem água, nós temos que buscar água seja onde for. Não dá mais para aceitar a população sofrendo três dias e noites sem água", frisou.

Pastor Bira (Podemos) indicou que a água poderia ser captada no Vale do Igapó. "Todos apresentam soluções, o que esperamos é que elas sejam colocadas em prática", afirmou.

O vereador Júnior Rodrigues (PSD) criticou a falta de manutenção da lagoa de reservação, que deve ser desassoreada apenas em janeiro, e descartou a possibilidade de reajuste da tarifa de água, em meio ao desabastecimento. "Nós vamos cobrar. Algo tem que ser feito. Mas precisa que seja falado e cumprido. O que não dá é para falar agora em reajuste de tarifa, sendo que não estamos entregando água para a população. Vou reajustar o quê?", ressaltou o vereador.

Jr. Lokadora (PP) disse que em diversos bairros na região onde reside são cada vez mais comuns relatos de moradores de que a falta de água chega a até cinco dias, após a extensão do prazo de rodízio. "Falam do 12h por 72h, mas não é o que está acontecendo, vemos moradores há cinco dias sem água", afirmou.

A privatização do DAE, na opinião do vereador Coronel Meira (PSL), seria uma solução para o problema. "O DAE é uma empresa que não deu certo", avaliou.

Já os prejuízos causados pela falta de água aos pequenos comerciantes e prestadores de serviço foram lembrados por Pastor Miguel (Republicanos), que fez um apelo a Marcos Saraiva e à prefeita Suéllen Rosim (Patriota) para que tomem uma atitude urgente em solução definitiva ao problema.

Para Guilherme Berriel (MDB), a falta de água tem colocado a população não atendida em situação degradante. E José Roberto Segalla (DEM) também defendeu a concessão do serviço de água, e sobre a fiscalização anunciada pelo DAE, que poderá multar moradores que desperdicem água, afirmou que primeiro o departamento tem que evitar o próprio desperdício, como em caixas d'água que transbordam e vazamentos não consertados.

Pedido de Comissão Processante é rejeitado

Após parecer do consultor jurídico da Câmara, Arildo Lima Jr., a Mesa Diretora considerou inepta a denúncia que pedia instalação de uma Comissão Processante para avaliar a cassação do mandato da prefeita Suéllen Rosim e do secretário de Saúde Orlando Dias. A denúncia foi arquivada por não preencher requisitos legais ao pedir a cassação do vice-prefeito, já que, segundo a assessoria jurídica, Orlando Dias só poderia ser submetido a uma CP se estive ocupando o cargo da prefeita, e não como responsável por uma pasta na administração municipal.

O parecer jurídico foi emitido após o vereador José Roberto Segalla (DEM) questionar artigo do Decreto Lei 201/1967, que trata das responsabilidades de prefeitos, vereadores e dos procedimentos que devem ser adotados quando tais agentes políticos deixam de cumprir suas responsabilidades durante o cumprimento de seus mandatos.

O pedido de CP assinado por Alcides Mendonça Junior foi protocolado na Câmara na manhã desta terça-feira (16), considerando os apontamentos constantes no relatório final da CEI da Fundação.

Batalha está só a 22 cm de colapsar e paralisar o abastecimento de vez

Larissa Bastos

Em apenas 24 horas, do fim da tarde de segunda-feira até o final da tarde desta terça, a queda na lagoa foi de 19 centímetros

O sistema de abastecimento de água por meio do Rio Batalha está prestes a entrar em colapso. A lagoa de captação chegou ao menor nível do ano nesta terça-feira (16), de 1,52 metro, apenas 22 centímetros acima da marca de 1,30 metro, que torna inviável a retirada de água do manancial.

De acordo com o presidente do DAE, Marcos Saraiva, se o nível da lagoa chegar a este patamar, a captação no local terá de ser paralisada. "Este risco não está descartado", alerta ele, diante da velocidade acelerada com que o manancial está sendo esvaziado.

Para se ter ideia, em apenas 24 horas, do fim da tarde de segunda-feira (15) até o fim da tarde de terça-feira, a queda foi de 19 centímetros. E, considerando que só há previsão de chuvas a partir da tarde de quinta-feira, a chance de colapso se mostra, de fato, iminente.

Nesta terça-feira, a lagoa de captação amanheceu com nível abaixo de 1,60, quando a retirada de água já fica crítica, já que muita areia acaba sendo levada à Estação de Tratamento de Água (ETA). "A água entra mais suja e, por isso, precisamos usar uma quantidade maior de produto para torná-la potável", acrescenta Saraiva, salientando que a produção atual é de 215 litros por segundo, sendo que o volume considerado normal é de 550 litros por segundo para levar água a cerca de 130 mil moradores de Bauru que dependem do sistema Batalha.

Apesar de a ETA continuar em operação, a situação do abastecimento para estas pessoas já é bastante crítico em Bauru. Desde o último dia 10, DAE dividiu esta região da cidade em quatro setores, sendo que cada um deles recebe água por 24 horas e fica sem o produto por 72 horas.

"Sabemos que é um sistema muito rígido e que, especialmente em regiões mais altas, a água demora a chegar nas residências até mesmo nos dias programados. Estamos fazendo todo o possível para remediar a situação até as chuvas chegarem", reconhece o presidente do DAE. No dia 12, a Prefeitura de Bauru decretou situação de emergência hídrica no município, o que permite a contratação de empresas e compra ou aluguel de equipamentos com dispensa de licitação.

CAMINHÕES-PIPA

De acordo com Saraiva, por meio de locação, a intenção é ampliar de 13 para 37 o número de caminhões-pipa em operação até o fim desta semana. Até o final de setembro, eram apenas cinco em funcionamento. Atualmente, são dez voltados a levar água de poços até o reservatório central de distribuição e também para atender pedidos da população nas casas, em serviço que teve horário recentemente estendido das 7h às 22h.

Outros três caminhões trabalham para captar água de uma lagoa localizada às margens da Bauru-Ipaussu e levar à caixa de captação da ETA, próxima às bombas. Segundo Saraiva, até o momento, são captados 24 mil litros de água por dia, porém, parcerias com outros proprietários rurais estão prestes a ser firmadas.

"Além disso, fizemos a interligação do poço da USP à rede do DAE e estamos providenciando a ligação do poço da ABDA. Também tentaremos desassorear o Rio Batalha em um trecho a cerca de 1 quilômetro de distância da lagoa, que está em situação mais crítica, para conseguir garantir uma vazão um pouco maior de água", frisa.

DAE promete multar quem desperdiçar água

A partir desta quarta-feira (17), o DAE promete intensificar as ações contra o desperdício de água. A autarquia diz que a Lei Municipal 6.608, de 2014, que ordena sobre o controle de desperdício de água potável distribuída para uso, será aplicada, inclusive com multas a quem descumpri-la.

O DAE dispõe de 11 fiscais para agir e promover maior conscientização junto aos munícipes, especialmente neste período de estiagem e crise hídrica.

Segundo a lei, lavar calçadas e molhar ruas com uso contínuo de água; manter torneiras, canos, conexões, válvulas, caixas d' água e reservatórios, tubos ou mangueiras eliminando água continuamente; e lavar veículos estacionados em vias públicas são ações que constituem desperdício. A exceção à regra são os lava-cars, que possuem sistema de redução de consumo de água ou de reutilização do líquido.

O fiscal que flagrar o consumidor em uso inadequado ou desperdiçando água, em um primeiro momento, orientará sobre o uso racional, registará uma advertência e, posteriormente, enviará notificação no endereço da ocorrência. Se ficar constatado pela fiscalização a reincidência do desperdício, será aplicada uma multa de 50% sobre o valor registrado com o consumo de água do mês anterior do infrator. A cada reincidência será imposta nova multa de 50%, sempre sobre o valor da conta passada.

A população pode contribuir contra o desperdício e registrar vazamentos através do 0800-7710195 (ligações de telefone fixo) ou 3235-6140 e 3235-6179 (ligações de celular).

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