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Política

Bauru registrou em 2020 menor total de nascimentos da década

Dados do IBGE mostram queda da natalidade a partir de 2015 e aumento de mais de 20% nas mortes se comparado a 2010

por Tânia Morbi

19/11/2021 - 05h00

Douglas Reis

Fotos aéreas de Bauru. 7-11-2012 Caption

Bauru teve no ano passado o menor número de nascimentos dos últimos 10 anos. Foram 4.366 registros em 2020, sendo que a menor taxa anterior foi em 2010, quando nasceram 4.395 bauruenses. Os dados fazem parte do levantamento Estatísticas de Registro Civil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (18), que mostra ainda o crescimento, no mesmo período, do número de mortes.

De acordo com os dados, o município segue a série histórica de queda de natalidade e aumento das mortes entre brasileiros (veja nesta página), mas o Instituto não faz a relação direta dos dois casos ao período de pandemia, nos dois últimos anos, já que tanto nascimento quanto mortes já vinham com o mesmo desempenho em anos anteriores.

Em Bauru, a partir de 2010, os números de nascimentos aumentaram até 2015, quando o município teve 5.016 registros, com queda em sequência até o ano passado. Entre 2019 e 2020, a redução foi de cerca de 4,83%, caindo de 4.577 para 4.366 nascidos no ano, índice superior à queda registrada no Brasil, que foi de 4,7%.

Para o professor de Geografia Maurício Tadeu Leal, os dados mostram que em Bauru ocorre o mesmo fenômeno que vem sendo registrado em todo país. "Bauru é um microcosmo desse todo e não está dissociado do Estado de São Paulo ou o Brasil", afirma.

MORTES AUMENTAM

Inversamente a redução dos nascimentos, nunca foi registrado um número tão grande de mortes em Bauru quanto em 2020. Foram 2.845 registros, aumento de aproximadamente 21,38% em relação a 2010, quando houve 2.344 óbitos, o menor número da década. Depois de 2010, o menor registro de mortes foi em 2012, com 2.401.

Entre 2019 e 2020 o aumento foi menor, mas não deixou de existir. Foram 2.798 óbitos, contra 2.845, respectivamente, aumento de 1,68%.

O efeito da pandemia sobre os números de mortes e nascimentos é visto com cautela pelo professor Maurício Tadeu. "Tais dados podem sugerir alguns caminhos, que devem ser ponderados com calma, especialmente frente ao risco de concluirmos sobre o efeito negativo dos óbitos ligados à Covid-19. Ainda é cedo para uma conclusão mais enfática de uma relação com a pandemia nessa amostragem", avalia.

SEMESTRALMENTE

Os dados do IBGE, segundo apurou o Jornal da Cidade, são baseados em informações coletadas junto aos Cartórios de Registro Civil, o que pode ajudar a explicar os números, ao menos dos dois últimos anos, de acordo com o professor Maurício.

Para ele, uma hipótese são os nascimentos ocorridos na zona rural e ainda não registrados, devido à pandemia. "Pode ter ocorrido de alguns nascimentos, especialmente parto em zona rural - o que são reduzidos, se não raros em Bauru - ainda não terem sido notificados aos registros públicos. Porém, é uma hipótese de menor impacto", ponderou o professor.

NÚMEROS DO BRASIL

De acordo com o levantamento, no Brasil desde 1994 não era registrado um número tão pequeno de nascimentos como em 2020. Ao todo, foram 2.678.992 nascimentos frente a 2.812.030 em 2019.

Segundo o IBGE, a queda de natalidade já vinha ocorrendo há alguns anos em todo o país. A região com menor índice foi a Norte, com queda de 6,8% entre os dois anos. A menor queda foi na Região Sul, com redução de 3,1% nos nascimentos.

Segundo apurado pela reportagem, como o Censo é realizado pelo IBGE a cada 10 anos, e sendo o último em 2010, deveria ter sido refeito em 2020, o que não ocorreu devido à pandemia. O Instituto agora prevê novo levantamento de informações a partir de julho de 2022.

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