Bauru

Política

Concessão da Estação Ferroviária é "inadmissível", diz Estela Almagro

Informação de que proposta de concessão do prédio histórico será enviada à Câmara foi dada pela prefeita ao Podcast JC

04/01/2022 - 05h00

Aceituno Jr

Estela Almagro é presidente da Comissão de Fiscalização

A vereadora Estela Almagro (PT) avaliou nesta segunda-feira (3) que a decisão da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (Patriota), de conceder o prédio da Estação Ferroviária da Noroeste do Brasil para uso da iniciativa privada, divulgada em entrevista ao Jornal da Cidade/JCNET em seu podcast Entrevista, é um ataque à preservação da história e da cultura da cidade. Entre outras decisões já tornadas públicas, a prefeita citou a concessão para a iniciativa privada do prédio da Estação Ferroviária como uma posição definida pelo chamado Núcleo de Estudos e Concessões, o que também foi criticado por Estela.

Embora o prédio histórico tenha custado à prefeitura cerca de R$ 6,5 milhões, para a prefeita Suéllen os investimentos necessários para sua recuperação não seriam viáveis, considerando a destinação apenas para instalação de setores administrativos de secretarias da prefeitura, como da Educação.

Mas, para a vereadora, a Estação é um grande símbolo da história de Bauru, o que justificaria os investimentos, em sua opinião, considerando a revitalização do centro da cidade como parte da obra. "É inadmissível a prefeita gastar de forma desordenada e sem autorização Legislativa ou debate popular R$ 34 milhões comprando prédios de particulares, quando por um valor muito menor que isso restabeleceria o prédio da estação e a sede de, ao menos, duas de suas secretarias. Obviamente, isso inclui o resgate do Centro da cidade", afirmou a petista.

Além dos aspectos histórico e cultural que envolvem o prédio, Estela listou ainda o fato de o local ter sido comprado com recursos públicos e sua importância para a revitalização do Centro da cidade. "Não dá para discutir revitalização do Centro sem colocar no contexto o prédio da antiga rede e a praça Machado de Melo", afirmou.

LEGADO ETE

Segundo informou a prefeita, um projeto de lei será enviado à Câmara com a proposta de privatizar o uso do imóvel histórico. Antes, sua equipe irá definir qual a melhor proposta para a destinação do espaço, considerando possibilidades como um mercadão, centro de compras, universidade, galeria empresarial ou espaço cultural.

Para Suéllen, investimentos públicos na estação poderiam levar o município à mesma situação de estagnação das obras da Estação de Tratamento de Esgoto. "O projeto (de reforma) é basicamente um estudo, um desenho arquitetônico inicial do que pode ser executado. Uma obra do porte da estação ferroviária, senão muito bem pensada, a gente tem a complexidade que temos na ETE hoje. Eu não quero ter esse legado, de começar uma obra complexa, fazer uma licitação milionária com recurso da Educação, enquanto as escolas estão precisando de janelas, muros, de banheiros novos etc", ponderou.

Estela Almagro garantiu que, após a abertura de licitação para contratação do projeto de reforma do prédio, em setembro de 2010, quatro propostas foram apresentadas em outubro daquele ano.

GRUPO DE CONCESSÕES

A vereadora criticou a afirmação de que concessão foi uma decisão tomada em conjunto com o Núcleo de Estudos e Concessões, dada pela prefeita. Em sua avaliação, como o grupo não existe formalmente, não pode ser considerado nas decisões tomadas pela gestora municipal. "O artigo 18 que formulei no primeiro semestre obrigou a Chefe do Executivo a admitir que o tal núcleo não passou de uma 'forma de dizer que iria ouvir seus secretários sobre certos temas'. Se alguém está querendo entregar (a estação) para a iniciativa privada é ela (prefeita)", avaliou a petista.

Ler matéria completa

×