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Política

Sérgio Moro admite possibilidade de concorrer ao Senado por São Paulo

Entrevista exclusiva do ex-ministro ao Café com Política abordou a Lava Jato, passagem pelo governo Bolsonaro e eleição

por Tânia Morbi

14/05/2022 - 05h00

Reprodução JCNET

Sérgio Moro participou do Café com Política via Skype, ontem

Com exclusividade, o programa Café com Política sabatinou, nesta sexta-feira (13), o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sérgio Moro (União Brasil), que falou sobre a Operação Lava Jato, sua passagem pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) e futuro político.

Moro informou que está em construção a possibilidade de que seu presidente, Luciano Bivar, seja o candidato a presidente pelo partido, tendo como vice a senadora Soraya Thronicke, o que levaria o próprio Moro a concorrer à vaga de São Paulo no Senado Federal. "É uma possibilidade, mas isso está sendo construído. O que tem definido é que o pré-candidato é Luciano Bivar, mas quem vai ser vice e meu envolvimento nas eleições, se vou para o Senado, é o que a gente vai definir nas próximas semanas", afirmou ao responder pergunta do jornalista e especialista em marketing políticos e eleitoral Kleber Santos.

Além de Kleber, Moro foi entrevistado também pelo economista Reinaldo Cafeo; pelo diretor de jornalismo do JC, João Jabbour; e pelo jornalista da 96 FM Ricardo Bizarra.

NO GOVERNO

"Fui para o Governo Federal com a expectativa de que a gente pudesse transformar o país e, como muitos brasileiros, me decepcionei, e vi que este projeto de consolidar o combate à corrupção não estava na agenda do presidente da República. Nesta parte de combate à corrupção, que para mim era essencial, eu não tive o apoio do presidente (Jair Bolsonaro). Houve interferência na Polícia Federal e eu tive que explicar os motivos da minha saída. Entrei no governo para consolidar o trabalho contra corrupção, quando não tive o apoio do presidente, eu tive que sair".

EXCESSOS NA LAVA-JATO?

"Um grande problema do Brasil é que ainda somos uma república de privilégios e, entre eles, tem o privilégio de roubar e não ser punido nas classes poderosas. Se você é poderoso politicamente ou economicamente, a lei não chega em você. Então, a Lava Jato foi marco, rompemos esta tradição de impunidade. Nós conseguimos fazer com que pessoas que se acham acima da lei, donos de grandes empreiteiras, fossem julgados e responsabilizados por seus atos. Não vejo excesso durante o processo e julgamento".

Sobre a revisão que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem feito das suas decisões, comentou. "Sentimento de retrocesso. Foi um trabalho institucional, então tem frustração, que não é uma questão pessoal, porque quem está perdendo é o país. Estamos retrocedendo no combate à corrupção. Mas faço uma ressalva: eu critico e acho que tem que ser criticado. Mas não podemos defender agressões físicas a ministros do Supremo ou invasões ao prédio do STF".

PODEMOS, UNIÃO BRASIL E A POLARIZAÇÃO

Sobre a troca de partidos (deixou o Podemos e foi para o União Brasil), contou: "Entendi que seria necessária a união dos partidos de centro ou, ao menos, estar num partido com estrutura maior. O Podemos, tenho agradecimento, mas é um partido de uma estrutura modesta. Então, para funcionar a campanha, precisaria de aliança com outro partido e, infelizmente, não estamos vendo isso. No União Brasil, vi oportunidade de construir essa união ou uma candidatura que tenha condições de romper polarização".

"A polarização divide o país, não pacifica, não une os brasileiros. Se prevalecer, vamos ter a sensação de vencedor e derrotado, e assim não conseguimos construir um caminho para o futuro, além de prejudicar o debate público. Quais as questões que devíamos estar discutindo? Segurança pública, educação, combate à corrupção, mas em um cenário polarizado só vemos briga, ofensas. Não vamos conseguir construir o Brasil que precisamos dentro deste cenário de polarização".

TERCEIRA VIA

"Vejo Luciano Bivar, Doria ou Tebet como opções muito melhores que dos outros dois extremos. Acho que o centro político deve ser politicamente moderado, firme em princípios e valores. O que o brasileiro quer é que o Brasil volte a crescer e que o governo pare de atrapalhar. O grande problema da terceira via é a vaidade. Fui o único que deu passo atrás para tentar construir algo robusto e acho que falta a todos os envolvidos ter um pouco mais de compreensão do momento delicado porque passa o país".

URNAS E DEMOCRACIA

"A questão das urnas, temos que ser objetivos e basear nossas avaliações em evidências. Tivemos eleições com essas urnas desde a década de 1990 e nunca houve questionamentos. Sem que haja evidência ou indicativo de fraude, fica-se na especulação. Também não creio em golpe ou em uma ruptura constitucional, acho que é mais ruído do que uma chance real de acontecer".

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