Bauru

Política

Marina diz que como deputada pode atuar pelo meio ambiente

Escolha pelo Legislativo foi confirmada na terça-feira (2), após tentativas de Haddad (PT) em tê-la como sua vice

por Tânia Morbi

04/08/2022 - 05h00

Isabele Scavassa

Marina Silva

Nesta terça-feira (2), foi confirmada a escolha da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede Sustentabilidade), para ser candidata à Câmara Federal nas próximas eleições. Marina estudava a possibilidade de aceitar o convite para ser vice de Fernando Haddad (PT) na campanha pelo Governo de São Paulo.

Durante entrevista cedida ao Jornal da Cidade, na sexta-feira (29), Marina justificou a pretensão de concorrer à Câmara Federal por São Paulo como forma de preservar e recuperar a legislação ambiental do país, segundo ela, gravemente afetada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).

A ex-senadora criticou a política ambiental do governo federal ao mesmo tempo em que defendeu ser possível a atuação conjunta do agronegócio e da ecologia. "Além dos orçamentos secretos, estão tentando acabar com a legislação ambiental, na área de licenciamento, demarcação de terras indígenas, demarcação das florestas. Tudo isso me fez considerar voltar ao Congresso e São Paulo reúne as condições de fazermos as grandes mudanças do século 21: transição climática e energética, com incidência no novo ciclo de prosperidade que gere oportunidade de trabalho, renda e riqueza para o país, mas ao mesmo tempo, recupere a indústria e proteja o meio ambiente", avaliou.

PREJUÍZOS

Na avaliação da ex-ministra do Meio Ambiente, o governo Bolsonaro causou graves prejuízos ao setor ambiental, com a política implantada afetando, inclusive, a agricultura.

Citou como iniciativas de seu mandato que não tiveram prosseguimento, o plano de controle de desmatamento; Fundo Amazônico, que recebia investimentos de outros países para a execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento sustentável, ações de controle de queimada e de apoio a populações tradicionais, inclusive projetos empresarias, além da imagem do país diante das grandes discussões internacionais. "Foram desmontados os mecanismos de gestão, fiscalização e de monitoramento. Fora a corrupção normativa, pois, ao invés de fazer com que as pessoas que cometem crimes fiquem de acordo com a lei, eles mudam a lei para ficar de acordo com o crime. Além disso, tenho clareza que o Brasil não aguenta mais quatro anos de Bolsonaro", criticou.

Porém, Marina avalia que é possível recuperar e fortalecer a relação entre ecologia e economia. "Temos uma boa legislação, temos que implementá-la. Economia e ecologia não são oposição. A gente pode dobrar a produção agrícola sem ter que derrubar mais uma árvore. Podemos aumentar a produção por ganho de produtividade, temos que fazer a competição pelo caminho de cima e não de baixo", assegurou.

Ler matéria completa

×