Bauru e grande região

Regional

Indústria de Jaú inova para diversificar

Cidade completa 155 anos com indústria superando agricultura, com vários setores exportando e gerando empregos

por Ricardo Santana

15/08/2008 - 07h00

Jaú - O parque industrial consolidado em Jaú (47 quilômetros de Bauru) ainda tem no calçado feminino sua maior referência. Porém, a diversificação tornou-se irreversível. Um processo iniciado há pelo menos 50 anos, dos 155 anos completados hoje pela cidade, projetou o setor calçadista, que responde por 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, segundo Wilson Fernado Rizatto, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico.

O economista Osvaldo Contador Jr., da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Jaú, e Rizatto destacam que a indústria é a vocação de Jaú. Osvaldo avalia que a cidade caminha para desenvolver mais o segmento industrial do que o agropecuário.

“A vocação é para o fortalecimento da indústria”, pontua Rizatto. Ele lembra que o setor da cana-de açúcar ocupa 90% da produção agrícola do município e em um modelo autamente mecanizado (uma colheitadeira de cana desemprega 90 cortadores).

Atualmente, 250 indústrias compõem o Arranjo Produtivo Local (APL) jauense. Osvaldo esclarece que, aproximadamente, 500 empresas integram a cadeia produtiva do calçado feminino. Rizatto ressalta que o segmento calçadista ganhou um força ainda maior que provoca a diminuição da informalidade, em decorrência de um acordo entre o setor produtivo e o Ministério Público do Trabalho (MPT), para pôr fim ao emprego informal.

Para Osvaldo, o futuro do segmento calçadista é ter empresas focadas em questões como design e na gerência do negócio. O perfil dos empresários que tocam o setor é de jovens de famílias que produziam calçados, porém com uma visão altamente profissionalizada. “Está havendo uma solidificação do contexto em diversos aspectos”, detalha.

A cidade também oferece cursos que atendem as necessidades do setor calçadista. A Fatec possui o curso de gestão da produção de calçados, que mantém intercâmbio com o curso de design da Unesp em Bauru. O Centro de Treinamento do Senai “Edward Sávio” oferece uma gama de cursos só para o calçado. Em outra ponta, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP) prepara os empresários para a gestão empresarial.

Biodisel

Máquinas para o processamento de plantas olioginosas para produção de biodisel, energia limpa, fizeram surgir 10 empresas na cidade nos segmentos de metalurgia e mecânica. O setor de cartonagem é forte em Jaú, somando 10 empresas. “É o segundo maior do Brasil”, ressalta Rizatto. Na “Capital do Calçado Feminino”, desponta o segmento de alimentos com uma empresa produtora de balas exportando para Estados Unidos, Europa e África.

Inovação

O parque industrial de Jaú já ultrapassou o estágio da diversificação para atingir o patamar da alta tecnologia, influenciada pela inovação. Rizatto destaca duas grandes empresas voltadas para o segmento de saúde, atendendo o setores médico e odontológico. A Biomecânica produz próteses para cirurgias que propiciam qualidade de vida aos pacientes. “Faz próteses que vão dentro dos ossos. Emprega mais de 200 funcionários e está exportando, sendo referência nacional e internacional. Atende o mercado interno e o externo”, destaca.

Uma das mais inovadoras indústrias dos parque industrial jauense é a Nacional Ossos. Localizada no Jardim Doutor Luciano, seus produtos auxiliam no estudo da anatomia humana. A empresa é especializada em materiais para o desenvolvimento de equipamento e produtos médico-odontológico (próteses, implantes, fixadores, aparelhos corretivos). Criada há 13 anos, exporta para mais de 20 países e atende o mercado brasileiro. “O médico pega os produtos da Biomecânica e já insere no corpo humano. A Nacional Ossos faz todo o corpo humano, a parte de esqueleto em resina. Ela faz a coluna vertebral, que parece uma obra de arte. Não precisa mais ir em cemitério e pegar ossos para o futuro médico estudar. É uma coisa tão perfeita que estão exportando e atendendo o mercado interno”, frisa o secretário.

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400 querem estar no DI

Jaú - A tendência de crescimento da área industrial em Jaú se reflete na procura por espaços para a instalação de indústrias. O 8.º Distrito Industrial (DI) ainda não possui licença ambiental da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e já atrai mais de 400 pedidos de empresários querendo se instalar nos 167 lotes.

O DI ocupará área às margens da rodovia Jaú-Itirapina (Engenheiro Paulo Nilo Romano, SP-225). A estrada interliga Jaú à rodovia Washigton Luiz (SP-310) e, no sentido contrário, à rodovia Marechal Rondon (SP-300).

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