Bauru e grande região

Regional

Raízen demite 600 trabalhadores

30/06/2015 - 07h00

Luzian Cruz Frata/Divulgação

Unidade de Barra Bonita, uma das maiores do País, onde houve demissões de trabalhadores

A crise no setor da cana já atinge a região de Bauru. O grupo Raízen (fusão entre a anglo-holandesa Shell e a paulista Cosan) demitiu nos últimos dias 600 trabalhadores rurais nas unidades de Barra Bonita, Jaú e Dois Córregos. Os números foram divulgados pelo Sindicatos de Trabalhadores e Empregados Rurais daquela região.

 

Em nota, a Raízen confirma os desligamentos, mas não informa o número de demitidos (leia ao lado). 

 

Nas cidades de Barra Bonita, Igaraçu do Tietê, Dois Córregos, Mineiros do Tietê, Macatuba, Itapuí e Jaú já há  protestos contra as demissões que ocorrem em plena campanha salarial dos empregados agrícolas do setor sucroenergético, cuja data-base é 1 de maio e, em especial, nas negociações com as unidades Raízen na região de Bauru.

 

No início deste ano, a escassez de cana-de-açúcar para moagem devido à estiagem provocou a suspensão de atividades da usina Bom Retiro, em Capivari, onde foram realizadas 250 demissões. 

 

Em duas semanas, segundo o sindicato dos trabalhadores, nas unidades de Jaú, Barra Bonita e Dois Córregos 420 trabalhadores rurais foram demitidos.

 

Os sindicatos de empregados rurais reunidos na Federação dos Empregados Rurais Assalariados (Feraesp), informaram que estudam o ingresso de medida judicial para reverter, e também impedir, as demissões, não apenas porque há um processo de negociação coletiva em curso, mas, também, porque em uma das cláusulas da pauta se discute o fim da dispensa imotivada.

 

A forte estiagem do ano passado agravou a crise no setor sucroenergético, que registrou, no ano passado, 13.681 demissões em todo o Estado, de acordo com dados da Federação das Indústrias do Estado (Fiesp).

 

Para sindicalistas da região, a Raízen poderá levar a efeito novas demissões nesta semana, mesmo que para tanto, as faça em etapas para, exatamente, não chamar a atenção da imprensa e da Justiça.  

 

A Raízen tem hoje 24 unidades e com elas produz 2 bilhões de litros de etanol por ano, 4 milhões de toneladas de açúcar, sendo a maior produtora individual de derivados de cana no Brasil. A empresa comercializa aproximadamente 22 bilhões de litros de combustíveis para os segmentos de transporte, indústria e varejo. 

 

Empresa confirma

 

A Raízen informa que os desligamentos ocorridos fazem parte de medidas necessárias de reestruturação de cargos operacionais relacionados principalmente pela sazonalidade característica no setor nas áreas de plantio, preparo de solo e transporte agrícola.

 

A empresa informa ainda que o redesenho servirá para dar mais agilidade aos processos internos da empresa e tornar as unidades melhor preparadas e mais competitivas para enfrentar os atuais desafios do mercado.

 

Região teve demissões no setor metalúrgico  

 

A Pedertractor, empresa de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) que fabrica peças e componentes para máquinas agrícolas e da construção civil, deu início a demissão de cerca de 400 funcionários. Os cortes foram atribuídos a uma diminuição nos pedidos, motivada pela crise econômica enfrentada pelo País.

 

As primeiras demissões começaram na semana passada. A reportagem apurou que, no total, aproximadamente 700 trabalhadores dos 2.300 que a Pedertractor poderão perder os seus empregos.  As rescisões dos contratos de trabalho dos funcionários demitidos começarão a ser pagas amanhã.  

 

Entre os clientes da Pedertractor estão a Caterpillar, multinacional que produz máquinas como compactadores, escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, retroescavadeiras e tratores de esteiras; a multinacional Volvo, que fabrica carregadeiras, escavadeiras, compactadores de solo e caminhões articulados e o Grupo CNH, fabricante de máquinas da construção civil e agrícolas.

 

Dispensas 

 

Como último recurso para enfrentar a crise econômica, a maior montadora de ônibus de Botucatu dispensou centenas de funcionários no mês de maio. A Induscar Caio demitiu 220 dos quatro mil trabalhadores. Depois de conceder dois períodos de férias coletivas, a instituição teve de recorrer ao corte de funcionários.