Bauru e grande região

Regional

Casal de médicos cubanos "some"

por Lilian Grasiela

12/09/2015 - 07h00

Prefeitura de Agudos/Divulgação
Médico cubano Alejandro Guerrero Gonzalez atendia no Posto de Saúde Dirce Porto Bicalho Ayub 

Um casal de médicos cubanos do Programa Mais Médicos que trabalhava há cerca de um ano em Agudos (13 quilômetros de Bauru) está desaparecido desde terça-feira (8). Segundo a prefeitura, eles abandonaram o trabalho e não atendem ligações nos telefones fixo e celular. Boletim de ocorrência foi registrado e Ministério da Saúde foi comunicado. Colega do casal contou que eles fizeram contato dizendo que estavam nos Estados Unidos.

A médica Amarilis Prieto Carballosa trabalhava no Posto de Saúde Central. O marido dela, o médico Alejandro Guerrero Gonzalez, atendia no Posto de Saúde Dirce Porto Bicalho Ayub, no Jardim Europa. “São médicos muito competentes, queridos da população. Eles atendiam muito bem e eram de qualidade técnica aprovada por todos, médicos de aceitação popular muito grande”, declara o prefeito Everton Octaviani (PMDB).

Segundo o coordenador de Saúde, Fábio Francisco Mota, o sumiço dos profissionais foi constatado dia 8. “Na terça-feira após o feriado, fomos procurados pelo pessoal da equipe dizendo que a profissional não havia chegado ainda. Tentamos contato na residência e celular e não conseguimos. Entramos em contato com a outra unidade de saúde, onde trabalhava o esposo, e descobrimos que ele também não havia ido trabalhar no dia”, diz.

“Nós começamos a fazer uma investigação e descobrimos que eles haviam entrado em contato com colega deles, médico também do programa Mais Médicos, e dito que estavam nos Estados Unidos”. Mota pontua, porém, que essa informação não foi confirmada e que as providências adotadas foram o registro de boletim de ocorrência e a comunicação do fato à coordenadoria do Mais Médicos em São Paulo. Segundo ele, o pedido de substituição dos profissionais ainda é avaliado. 

O Ministério da Saúde informou que não foi notificado pelo município de Agudos. “Após a informação da prefeitura, os médicos serão notificados pelo Ministério da Saúde e terão 48 horas para retornar às atividades. Caso não retornem às atividades ou justifiquem a ausência, eles serão desligados do programa por meio de publicação no Diário Oficial da União, segundo prevê a legislação do Mais Médicos”, explica.

Asilo?

 

O JC não conseguiu confirmar a informação de que os médicos teriam ido até os Estados Unidos, supostamente em busca de asilo. Consulado Geral dos EUA em São Paulo foi acionado por telefone e e-mail, mas, até fechamento desta edição, não deu retorno.

'Auxílio filho'

No início do ano, a prefeitura editou lei criando auxílio financeiro mensal de R$ 550,00 por filho para cada um dos sete médicos cubanos do Mais Médicos. O casal “desaparecido”, segundo Everton Octaviani, tem uma filha de 12 anos e foi um dos beneficiados. “Pelo tratado de Brasil com Cuba, eles não poderiam trazer familiares. Gerou mal-estar e a gente teve que remodelar essa situação”.