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Regional

Fechamento de escola em Agudos gera protesto

Pais e alunos fizeram uma manifestação em frente a Pe Aquino de Agudos, que pode passar por mudanças em processo de reorganização do Estado

01/10/2015 - 07h00

João Rosan
Nessa quarta (30) de manhã, dezenas de alunos, pais e professores protestaram em frente à escola estadual Padre Aquino, em Agudos, que poderá ser fechada em processo de reorganização do Estado

Nessa quarta-feira (30) de manhã, professores, pais e alunos da Escola Estadual Padre João Batista de Aquino, em Agudos (13 quilômetros de Bauru), fizeram protesto contra o suposto fechamento da unidade escolar no final do ano. Processo de reorganização do governo do Estado prevê a unificação dos ciclos de ensino e disponibilização de prédios escolares para dois municípios, alterando o cenário de diversas escolas na região (leia mais abaixo).

O JC apurou que, pela proposta em estudo, a Padre Aquino, que fica no Centro e reúne 500 alunos dos ciclos fundamental II (do 6º ao 9º ano, com idades entre 11 e 14 anos) e médio (1º ao 3º ano, com idade entre 15 e 17 anos), teria o prédio disponibilizado ao município e os jovens seriam realocados na escola João Batista Ribeiro, no Jardim Santa Terezinha.

A medida não agradou professores, pais e alunos, que reclamam da interrupção no processo de aprendizado e da distância maior que os jovens terão de percorrer para estudar. Com faixas e cartazes, os estudantes pediram que a escola permaneça em funcionamento. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) acompanhou o ato.

O estudo prevê ainda que a escola Professora Nilza Maria Santarém Paschoal, no Jardim Europa, receba apenas alunos do ensino médio, absorvendo estudantes da escola Professor Manoel Gonçalves, na Vila Vienense, que passaria a ter somente o ensino fundamental II.

Nesta quinta-feira (1), às 10h30, o prefeito de Agudos, Everton Octaviani (PMDB), acompanhado de vereadores, irá se reunir com Gina Sanchez, Dirigente Regional de Ensino em Bauru. “Esta decisão é um equívoco, um grande erro que não pode ser cometido”, afirma.

“A escola João Batista de Aquino atende centenas de alunos da nossa cidade e é de extrema importância para a educação dos nossos adolescentes e jovens. É preciso investir cada vez mais em educação e não o contrário”.

Outro prédio escolar que poderá ser disponibilizado pelo Estado à prefeitura é o da escola Professora Antonieta Grassi Malatrasi, em Lençóis Paulista, que tem 350 alunos. Reunião entre a dirigente de ensino e prefeita Bel Lorenzetti (PSDB) foi agendada para sexta-feira (2).

A reportagem apurou que também existem propostas em estudo para o fechamento das Escolas Estaduais Fanny Altafim Maciel, em Macatuba, e Major Prado, em Jaú. O assunto foi alvo de debates na Câmara de Macatuba na última sessão.

‘Novo Modelo’

Em artigo publicado na página da Secretaria Estadual de Educação, o secretário da pasta, Herman Voorwald, revela que o novo modelo de escola pública, com concentração, em uma mesma unidade, de alunos da mesma faixa etária, melhora o ambiente de aprendizagem. Segundo ele, estudos indicam que as escolas de ciclo único têm resultado 10% superior às unidades de três segmentos. O secretário ressalta ainda que as mudanças garantirão um deslocamento máximo de 1,5 quilômetro aos alunos e funcionários.

‘Mudanças estão em estudo’, diz Dirigente de Ensino de Bauru

A Dirigente Regional de Ensino em Bauru, Gina Sanchez, explica que o processo de reorganização nas escolas públicas está em fase de estudo. “As propostas serão encaminhadas para a Secretaria de Educação em São Paulo até 9 de outubro”, diz.

Se forem aprovadas, serão apresentadas aos pais e alunos no dia 14 de novembro, no chamado Dia E. Sanchez confirma que a proposta inicial é de disponibilizar aos municípios os prédios das escolas Padre João Batista de Aquino, em Agudos, e Professora Antonieta Grassi Malatrasi, que fica em Lençóis Paulista. “Não há perda porque o prédio permanece na Educação. Seria ofertado à população aquilo que o prefeito tem de demanda na área de Educação, seja creche, Emef ou escola técnica, para que o aluno não precise viajar e tenha uma gama maior de cursos técnicos para o mercado de trabalho”.

No caso de Agudos, a dirigente garante que, se a mudança ocorrer, a escola João Batista Ribeiro terá condições de acolher os estudantes sem superlotação de salas. Ela ressalta que as mudanças propostas visam à melhoria da qualidade do ensino.