Bauru e grande região

Regional

Circuito Caminhos do Tietê busca regionalizar o turismo

Doze cidades se unem para melhorar estrutura e divulgação de atividades turísticas na região de Jaú amparadas em pesquisa de demanda

por Aurélio Alonso

25/03/2018 - 07h00

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Pôr-do-sol em Ibitinga é atração regional

O primeiro passo para buscar a regionalização do turismo em Jaú e mais 11 cidades do seu entorno foi dado nesta semana. Na centenária fazenda Sant'Anna do Mandaguahy foi assinado o documento que vai buscar um trabalho conjunto para divulgar o Caminhos do Tietê, composto por três estâncias turísticas, três municípios de interesse turístico, além de mais seis cidades com variedade de opções turísticas.

A Política Nacional de Turismo, estalecida pela lei 11.771/2008, tem dentre os seus princípios a regionalização do turismo. Uma das maiores críticas é a ausência de políticas públicas de Estado e de planejamento do turismo nacional.

Diferente da capital, o Rio Tietê tem muito pouca poluição no Interior e atrai visitantes. Os segmentos mais explorados na região são turismo náuticos, turismo de compras, turismo de sol e praia, turismo religioso, turismo de evento, turismo ecológico e turismo gastronômico.

Com assessoria técnica do Senac Jaú, o trabalho iniciado em outubro de 2016 mobilizou agentes públicos, autoridades, empresas e comunidades de doze cidades da região, sendo elas: Ibitinga, Iacanga, Arealva, Itaju, Bariri, Bocaina, Itapuí, Jaú, Dois Córregos, Mineiros do Tietê, Barra Bonita e Igaraçu do Tietê.

O objetivo é diversificar a oferta turística por meio de melhorias na infraestrutura, criação de calendários de eventos e roteiros turísticos; educar a comunidade para o turismo e qualificar a mão de obra para operações de atividades turísticas; comunicar e divulgar a região para atrair visitantes para as cidades, assim como comunicar as ações desenvolvidas pelas frentes de turismo dos municípios; promover a cooperação de instituições públicas e privadas para a gestão e captação de recursos para o Plano Regional de Turismo.

Estudo do Senac fez um raio X das potencialidades e também do que não funciona e precisa ser aperfeiçoado. O prefeito de Jaú, Rafael Agostini (PSB), aposta muito na parceria com os empresários para melhorar a divulgação, devido a dificuldades existentes na máquina pública, principalmente a burocracia que emperra demais projetos que requerem mais agilidade.

O Caminhos do Tietê está numa região com população de 339.294 habitantes. As doze cidades têm 88,56% de abastecimento de água e 89,7% de coleta de lixo. 

A Região Turística Caminhos do Tietê teve início em 2006 por iniciativa das Prefeituras de Dois Córregos, Barra Bonita, Igaraçu do Tietê, Jaú, Itapuí, Pederneiras e Bariri. Nessa época ações se concentraram na divulgação do roteiro nacionalmente e na participação de eventos.

Circuito tem variedade de opções

A elaboração do Plano Regional de Turismo de forma integrada incentivou a possuir um inventário turístico disponibilizado pelo governo do Estado.

Também há hierarquização dos atrativos turísticos. O passeio de barco em Barra Bonita pelas águas do Rio Tietê obteve o maior índice na avaliação de potencial efetivo, grau de uso, infraestrutura e acesso, depois vem o Território do Calçado em Jaú, Festa do Bordado de Ibitinga, fogueira de São João e telas de Benedito Calixto em Bocaina, Mirante da Pedra Branca em Mineiros do Tietê, entre outros.

Mas todas as outras cidades do Circuito Turístico têm potencial para atrair mais visitantes. Em Iacanga, por exemplo, é citado o Aquário Escola Tietê, cujo prefeito daquele município Ismael Boiani (PSB) pretende dinamizar. Implantando na gestão de seu antecessor por Boiani, ele reclamou que no último mandato não conservaram e houve morte de peixes.

A lista é grande de eventos como a Festa da Macadâmia e Festival de Poesia de Dois Córregos que já são considerados de grande repercussão em todo o Estado,

O Tietê também é boa opção para praias como a de Arealva, Iacanga, Ibitinga, Itaju, Igaraçu do Tietê.

De acordo com a secretária de Cultura e Turismo de Jaú, Cléo Furquim, o Plano Regional reúne as diretrizes necessárias para o desenvolvimento do turismo em toda a região.

A proprietária da fazenda Mandaguahy de Jaú, Maria Antonieta Almeida Prado, pediu ao final do encontro nesta semana para que os prefeitos e empresários se unam para que o projeto não fique na teoria.

A fazenda centenária é hoje aberta à visitação num projeto de Turismo Rural. No local também tem alambique de cachaça artesanal vendida na capital. "Que o esforço de cada um será recompensado de uma forma ou de outra", comentou dona Antonieta.

O Circuito conta com três cidades já reconhecidas como Estâncias Turísticas: Barra Bonita, Igaraçu do Tietê e Ibitinga. Três já têm selo de Município de Interesse Turístico (MIT): Itapuí, Iacanga e Jaú. Até o final, há outras cidades devem receber a cerfificação de MIT, entre elas, Mineiros do Tietê.

Pesquisa detecta quem mais visita

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Território do Calçado de Jaú recebe visitantes o ano interior, considerado turismo de negócios, com grande demanda

A variedade de atrações turísticas surpreende: vai dos passeios de barcos pelo Rio Tietê na Estância de Barra Bonita a turismo de negócios como o Território dos Calçados. A pesquisa elaborada pelo Senac-Jaú buscou quais são as atrações de cada cidade com seus potenciais e também os pontos fracos, que necessitam ser melhorados, além de onde provém a maioria dos visitantes.

A pesquisa de demanda vai ajudar no planejamento regional. "O Rio Tietê não divide os municípios, mas ele une as cidades. Ao defender a regionalização estamos buscando diversificar as opções turísticas para que os visitantes fiquem mais tempo na região. Isso ajuda o turista a permanecer mais tempo e gastar mais dinheiro.

Ele pode comprar bordado em Ibitinga, fazer um passeio em Barra Bonita e comprar calçado em Jaú, ou visitar outras opções de turismo de Arealva, Dois Córregos entre outras cidades", explicou Fernando Figueiredo, que coordenou os estudos e ajudou na elaboração do Plano Regional de Turismo do Caminhos do Tietê.

A ideia é fortalecer a economia regional e potencializar os recursos públicos, porque possibilita trazer mais investimentos para todas as cidades pertencentes ao Circuito Turístico.

Na pesquisa constatou, por exemplo, que por ano cerca de 1 milhão de pessoas visitam o Território do Calçado de Jaú, mas muitos deles somente permanecem um só dia e nem entram na cidade. A ideia é oferecer outras atrações seja de Jaú e da região para que o turista fique mais tempo.

Na pesquisa constatou que a boa localização da região, com boas estradas de acesso, não é entrave para trazer mais turistas, mas falta uma maior divulgação.

A maioria dos visitantes vem da região metropolitana de São Paulo (11,62%), com 1,53% dos entrevisprovenientes de outros estados. Com estes dados é possível notar que a maior parte dos visitantes da região se locomovem mais de 300 km, o que explica a falta de hospedagem na região, pelo público visitante, comenta Figueiredo.

"A maioria está apenas de passagem, como é possível notar na análise de dados de permanência do turista. Entre o público entrevistado da região, são provenientes das cidades de acordo com a porcentagem a seguir: Bauru (8,87%), Franca (1,53%), Dourado (2,45%), Piracicaba (3,36%), Jaú (3%), Bocaina (10,40%) e Araraquara (3,6%). Dessa forma, é possível apontar que o mercado regional tem grande destaque para o turismo", constatou o levantamento.

As grandes cidades do estado de São Paulo ocupam uma posição de destaque, sendo que a região metropolitana de Campinas, São Carlos e as demais cidades, como Sorocaba, Marília, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto com 1% com cada uma delas.

Visitantes descobrem região por amigos

O principal divulgador dos pontos turísticos são informações repassadas por amigos dos visitantes. A pesquisa do Senac identificou os meios mais eficazes na divulgação do destino. E falta um sistema de divulgação mais organizado nas mídias tradicionais.

Na análise constatou que  66% dos entrevistados souberam da divulgação da região por meio de amigos, 18% por Internet, 11% pela TV, 5% por outros meios de divulgação ou já tinham conhecimento prévio da cidade. Dessa forma, é possível concluir que a divulgação tem um grande trabalho para fixar a imagem em seus visitantes e vender produtos turísticos novos além de consolidar os existentes.

Festa religiosa de Bocaina atrai visitante

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Festa de São João é centenária em Bocaina pela tradição de fiéis católicos passarem descalços em cima de braseiro no dia 23 de junho

Por meio da tabulação dos resultados da pesquisa, é possível notar que 30% visitaram a Festa de São João em Bocaina, uma festa centenária onde cerca de 10 mil pessoas passam pelo local. A festa inicia-se dia 23 de junho e se estende por duas semanas. No dia 23, os devotos de São João passam sobre o braseiro descalço por volta da meia-noite.

O evento tem os pontos fortes para o comércio, principalmente bares e shows ajudam a atrair visitantes, mas há pontos fracos detectado no estudo: local pequeno, falta de estacionamento e banheiros.

Outros pontos procurados é o passeio de Barco em Barra Bonita 25%, Território do Calçado em Jaú 20%, Praia de Arealva 17%, bares e casas noturnas 5%, restaurantes 3% e Feira de Artesanato 2%.  O Ponto da Chuleta em Dois Córregos também foi citado no levantamento. "É interessante notar que todos estes locais visitados são estabelecimentos comerciais e de serviços, propícios para incrementar a economia e o comércio local. Assim é possível traçar estratégias que divulguem e apresentem aos visitantes locais alternativos ao consumo que já estão estruturados para receber e servir o turista", comenta Fernando Figueiredo no levantamento.