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Corte de árvores em área de projeto social gera polêmica em Duartina

Vizinhos criticavam sujeira, mas muitos questionam necessidade da medida

04/04/2019 - 07h00

Divulgação
Das sibipirunas existentes, apenas uma foi mantida inteira

Duartina - O corte de nove árvores da espécie sibipiruna que estavam plantadas nas dependências de um imóvel na rua Teodósio Lopes, no Centro de Duartina (38 quilômetros de Bauru), que abriga cursos de um projeto social mantido pela prefeita, vem gerando polêmica na cidade.

Em 2013, moradores vizinhos ao prédio fizeram um abaixo-assinado solicitando a substituição das árvores, que tinham cerca de 30 metros de altura, por espécies de menor porte.

Para justificar o pedido, eles alegaram que as folhas das sibipirunas estavam entupindo as calhas das residências e que os galhos representavam sérios riscos à rede elétrica.

Em janeiro deste ano, um desses vizinhos registrou boletim de ocorrência de dano dizendo que já havia protocolado três pedidos de poda ou substituição das árvores na prefeitura.

No documento, ele afirma que, além do entupimento das calhas, que estariam resultando em alagamento do seu forro em dias de chuva, as folhas estariam sujando a sua piscina. O morador revelou também que, em razão da queda de galhos na rede elétrica, dias antes, o fornecimento de energia foi interrompido nas residências da região por várias horas.

Munido do BO, ele voltou a protocolar requerimento no Executivo cobrando providências em relação às árvores e se comprometendo a fornecer mudas em caso de substituição.

CORTE

No fim do mês passado, funcionários da Prefeitura de Duartina foram até o local para cortar os troncos das árvores. No último sábado (30), equipes retornaram para concluir o serviço.

A medida desagradou muitos pais de alunos que frequentam o projeto. Suzete Aparecida Catanho da Silva, que tem netos matriculados nos cursos, conta que restou apenas uma árvore.

Segundo ela, as crianças costumavam se abrigar sob as sombras dos galhos durante as aulas. "Como permitem fazer uma atrocidade dessas só porque suja calha e quintal?", questiona. "Não tem a lei de proteção ambiental?".Em nota, a Prefeitura de Duartina informou que possui laudo atestando o risco que as árvores ofereciam para crianças que frequentam o projeto social e moradores vizinhos. "Também possuímos laudo favorável da Polícia Ambiental para a retirada das mesmas", declara.

Prefeitura de São Manuel/Divulgação

Remoção de 7 árvores

Em São Manuel (69 quilômetros de Bauru), a Diretoria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente encomendou recentemente a uma empresa uma avaliação da situação biomecânica de algumas árvores do município que se encontravam em possível situação de risco iminente de queda com objetivo de evitar acidentes. Das 24 árvores avaliadas, sete, das espécies casuarina, flamboyant, falsa seringueira, palmeira imperial e sibipiruna, deverão ser removidas por completo. "Durante essa análise, usamos um equipamento de impulso (tomografia de impulso) que nos auxiliou na avaliação da situação biomecânica das árvores. Com isso, conseguimos avaliar a situação do caule e a distribuição das raízes das árvores e se existe comprometimento que nos leve a aconselhar o seu corte, por questão única de segurança", explica Demóstenes Ferreira da Silva Filho, engenheiro agrônomo da empresa.