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Botucatu: Polícia Civil afasta sabotagem no caso da hemodiálise

DIG apurou que dois funcionários manipularam de forma equivocada ácido peracético usado na esterilização dos equipamentos, contaminando a água

por Lilian Grasiela

10/04/2019 - 12h25

Alpha Notícias
Delegado Geraldo Pires diz que não houve sabotagem no sistema

Botucatu - A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) afastou a possibilidade de sabotagem no caso envolvendo a presença de ácido da água que seria utilizada no dia 16 de março nas sessões de hemodiálise de 100 pacientes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). De acordo com a Polícia Civil, investigações realizadas até agora apontam que uma manipulação equivocada do produto químico por dois profissionais, que não tiveram os nomes revelados, resultou na contaminação.

As informações foram divulgadas nessa quarta-feira (10) pelo delegado Geraldo Franco Pires durante coletiva à imprensa. "Nós identificamos dois funcionários que teriam manipulado equivocadamente o produto. Eles foram ouvidos ainda na fase da investigação de sabotagem, deram a versão deles e negaram que tivessem manipulado de forma equivocada essa substância, mas todas as provas que nós colhemos indicam que eles, efetivamente, são os responsáveis, de forma culposa, por essa contaminação", diz.

Além da análise das imagens do circuito de segurança do HC para levantamento das pessoas que tiveram acesso ao setor de hemodiálise, o delegado explica que foram realizadas perícias nos equipamentos que existem no local para verificar se haveria possibilidade de uma falha material. Ele afirma que, se o erro na manipulação do produto químico por parte dos funcionários ficar comprovado ao final do inquérito, eles poderão responder por um crime de pequeno potencial ofensivo, sujeito à advertência.

"Na órbita administrativa, a partir do momento em que nós identificamos que esses dois funcionários foram os responsáveis pela manipulação equivocada e contaminação da água, nós comunicamos a Corregedoria Geral do Estado, que é o órgão competente para analisar a conduta dos funcionários. A Corregedoria é que vai definir que pena esses funcionários vão ter, que pode ser de uma simples advertência até uma demissão a bem do serviço público", revela.

O superintendente do HCFMB, André Balbi, também esteve presente na coletiva e comentou o resultado da investigação, informando que o hospital já abriu uma sindicância interna para apurar o ocorrido e que continua à disposição da DIG para finalizar a investigação do caso.

RELEMBRE O CASO

No último dia 16 de março, o HC suspendeu 100 sessões de hemodiálise agendadas para o período da manhã após detectar que a água que seria utilizada no procedimento havia sido contaminada por ácido peracético, usado no setor para esterilização pelo potencial de combater fungos e bactérias. No mesmo dia, o hospital registrou boletim de ocorrência para a apuração de eventual crime.

Em nota, a assessoria de imprensa do HC informou na ocasião que a sua Unidade de Diálise é considerada referência em procedimentos dialíticos no estado desde 1982 e segue com rigidez e diariamente todos os protocolos, portarias e padronizações de conduta que priorizam a segurança do paciente, o que permitiu a identificação do problema antes do início das sessões. Em média, o hospital realiza aproximadamente 110 procedimentos do tipo por dia.