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Pacientes do HAC de Jaú recebem laringe eletrônica após extrair órgão

Equipamento, emprestado por uma associação de apoio, facilita a comunicação de quem perdeu a voz após passar por cirurgia de laringectomia total

por Lilian Grasiela

15/06/2019 - 07h00

Fotos: HAC/Divulgação
No primeiro retorno após ter recebido a laringe eletrônica, Marcos veio acompanhado da esposa Josiele e também do filho Donovam

Jaú - Você já ficou sem voz ou imaginou como seria não conseguir falar? Para muitos pacientes com câncer na laringe (região onde ficam as cordas vocais), considerado um dos tipos mais comuns na região da cabeça e pescoço, essa é uma realidade. Em casos avançados, a extração da laringe, conhecida como laringectomia total, é o procedimento que pode garantir a cura, mas também causa afonia, que é a perda da voz. Para que possam voltar a se comunicar, cinco pacientes do Hospital Amaral Carvalho (HAC) de Jaú (47 quilômetros de Bauru) que passaram por este procedimento receberam no fim de março "laringes eletrônicas".

Marcos Roberto recebeu laringe eletrônica do representante da ACBG, Eduardo e da fonoaudióloga do HAC, Renata Sanchez

Os aparelhos foram entregues aos pacientes, todos do Sistema Único de Saúde (SUS), por representantes da Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG) por meio do projeto "Uma voz possível", uma iniciativa viabilizada pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).

"Portátil, com baterias recarregáveis, o acessório possibilita a emissão de uma onda sonora contínua. Essa vibração é transmitida por uma pseudovoz metálica que forma palavras através dos órgãos articuladores (lábios, língua e dentes)", diz a fonoaudióloga do HAC, Renata Furia Sanchez.

A profissional explica que, além de lidar com o tratamento, os laringectomizados totais precisam aprender a se comunicar novamente e, para isso, contam com acompanhamento e apoio de um grupo no hospital que, há quase 30 anos, oferece suporte, como reabilitação vocal e reinserção social.

De acordo com ela, pelo alto custo, muitos não teriam condições de adquirir a laringe eletrônica.

"Graças ao projeto da ACBG, muitos brasileiros têm sido beneficiados e, em breve, por intermédio da Associação, o equipamento deve estar disponível no SUS a todos os laringectomizados", diz.

Um dos contemplados foi Marcos Roberto, de 42 anos, que realizou a cirurgia há oito meses e ficou mais de 200 dias sem conseguir se comunicar.

"A primeira coisa que fiz foi gravar um vídeo agradecendo, com as minhas palavras, a todos que me ajudaram e me apoiaram até agora", conta o paciente.

Todas as laringes eletrônicas são emprestadas aos pacientes.

Eles podem utilizá-las pelo tempo necessário, mas, depois, terão de devolvê-las ao hospital para que outros usuários também possam ser beneficiados.