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Menina que sumiu em Chavantes é achada morta com 13 facadas

Vizinho da vítima confessou o crime e disse que queria se vingar da mãe dela; enterro foi marcado por forte comoção

por Lilian Grasiela

15/01/2020 - 04h06

Reprodução Internet

Emanuelle Pestana de Castro, 8 anos, desapareceu quando brincava em uma praça perto de casa

Chavantes - O corpo de Emanuelle Pestana de Castro, de 8 anos, que estava desaparecida desde o final da tarde de sexta-feira (10), quando saiu para brincar em uma praça perto de sua casa, no bairro Três Cantos, foi encontrado na noite desta segunda-feira (13) em um canavial na Fazenda Santana Nova, em Chavantes. Segundo a Polícia Civil, ela foi morta com 13 facadas. No início da tarde desta terça-feira (14), centenas de pessoas acompanharam o velório e o sepultamento da menina. Um vizinho dela, que confessou o crime e indicou à polícia onde estava o corpo, está preso preventivamente.

O desaparecimento de Emanuelle mobilizou a cidade de cerca de 12 mil habitantes na região de Ourinhos. Moradores se organizaram nos últimos dias para tentar localizar a criança e o caso ganhou repercussão nacional. Uma equipe de voluntários de Marília também participou das buscas junto com policiais.

Durante esse período, imagens de câmeras de segurança foram analisadas pela polícia e mostraram a menina a caminho da praça e, depois, brincando no local. O mistério envolvendo o sumiço dela só foi solucionado após a detenção do lavrador Agnaldo Guilherme Assunção, 49 anos, vizinho da família.

De acordo com o delegado seccional de Ourinhos, Antonio José Fernandes Vieira, câmeras de segurança registraram o suspeito conversando com a vítima na praça, de bicicleta, com uma camiseta vermelha. "A partir dessa primeira imagem, que mostra ele tendo contato com a Emanuelle, já existia a suspeita", conta.

"Mas a gente não poderia revelar isso de início porque precisávamos de maiores elementos. E o que foi determinante foi o encontro de uma segunda imagem". Nesta segunda imagem, que registra um momento anterior, segundo o delegado, Agnaldo aparece a pé, de camiseta branca, conversando com a menina.

"A gente imagina que, no primeiro encontro, quando estava de roupa branca, ele tenha convencido ela a seguir com ele e depois voltou já com a outra roupa", declara. Confrontado com as imagens, Vieira diz que o lavrador confessou que havia matado a criança a facadas e levou os policiais até onde o corpo estava.

CONFISSÃO

Mais cedo, quando o nome de Agnaldo apareceu como suspeito, uma multidão cercou a residência dele e a polícia precisou intervir para que ele não fosse linchado. De acordo com a Polícia Civil, o lavrador chegou a participar das buscas por Emanuelle como voluntário, ao lado de amigos e familiares dela.

Em seu depoimento, Assunção contou que convenceu a criança a ir até a área rural dizendo que colheriam mangas para presentear a mãe dela. Ele afirma que levou a menina de bicicleta até um canavial entre Chavantes e Canitar, cometeu o crime e enterrou parte do corpo às margens de um córrego.

O suspeito disse, ainda, que decidiu matá-la após uma briga entre familiares dele e de Emanuelle. Segundo ele, a mãe da menina não permitia que ela brincasse com seu enteado. O delegado seccional, porém, não acredita nesta versão. "Isso não se sustenta. A motivação é muito difícil de a gente entender. Ele tem todos os contornos de um crime com motivação sexual", afirma.

13 FACADAS

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) revelou que a vítima foi morta com 13 facadas - oito nas costas e cinco no peito. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a faca usada no crime foi apreendida e que foram solicitados exames de corpo de delito e de DNA. De acordo com Vieira, laudo preliminar não confirmou a conjunção carnal, mas um eventual crime sexual não está descartado. "Ela estava com o hímen íntegro", diz. "Mas ainda aguardamos o resultado de outros exames". O caso foi registrado como homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Histórico criminal

De acordo com o delegado seccional de Ourinhos, Antonio José Fernandes Vieira, o lavrador Agnaldo Guilherme Assunção, de 49 anos, que confessou ter matado a facadas Emanuelle Pestana de Castro, de 8 anos, já respondeu por uma lesão corporal seguida de morte contra o próprio irmão. O crime ocorreu em 1988 e, segundo o delegado, foi motivado por uma briga envolvendo um sabonete. 

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