Bauru e grande região

 
Regional

Sob comoção, mãe e filha, vítimas de queda de muro, são enterradas

Acidente ocorreu durante a chuva de quarta (18); elas foram sepultadas no fim da tarde de ontem no Cemitério de Brotas

por Marcele Tonelli

20/11/2020 - 05h00

Facebook/Reprodução

Ananete trabalhava em hotel de Brotas; nos últimos dias, postou pedidos de proteção

Brotas - Veladas lado a lado, porém com caixões lacrados, mãe e filha, vítimas da tragédia em Brotas (100 quilômetros de Bauru) envolvendo a queda de um muro, foram sepultadas no cemitério municipal da cidade, sob forte comoção, no fim da tarde desta quinta-feira (19). A Defesa Civil de Brotas se pronunciou e afirma que não seria possível prever a queda do muro, que não possuiria problemas aparentes (leia mais ao lado).

Funcionária de um hotel conhecido em Brotas, Ananete Silva Santos, 55 anos, teve afundamento de crânio e morreu no local do acidente, que passou por perícia técnica. Religiosa, ela participava de um grupo de oração da igreja Católica e era conhecida na cidade. Por meio de suas redes sociais, ela demonstrava sua fé e, coincidentemente nos últimos dias, republicou várias mensagens com pedidos de proteção a Deus.

Já Amanda Silva Santos tinha 26 anos e se preparava para terminar o curso de Pedagogia na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e iniciar sua carreira profissional.

TRAVESSIA

Antes de atravessarem a avenida Mário Pinotti sob o mesmo guarda-chuvas e seguirem em direção ao muro que as mataria repentinamente, Amanda e Ananete teriam feitos compras em uma loja de departamento a poucos metros dali, um fogão e um rack trariam novos ares à casa da família.

Instantes após o ocorrido, funcionários do local e populares atuaram incansavelmente, na chuva, para tentar tirar de cima das vítimas os escombros do muro de quase 4 metros antes da chegada do socorro.

Nesta mesma loja, em um prédio mais distante, trabalharia outra filha de Ananete, que não estava no local do acidente. Amanda chegou a ser socorrida com vida no Hospital Santa Terezinha, em Brotas, e foi transferida às pressas para a Santa Casa de Jaú, mas não resistiu aos politraumatismos. O corpo dela foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Jaú. Já o corpo de Ananete foi levado para o IML de Rio Claro.

No início da tarde desta quinta (19), mãe e filha se reencontraram, porém, sem vida e com caixões lacrados. Em razão da pandemia, o velório foi limitado à família e por apenas 3 horas. O enterro ocorreu por volta das 16h. Além da outra filha e irmã, as vítimas deixam o pai e marido.

'Não dava para prever', argumenta Defesa Civil

A Prefeitura de Brotas se pronunciou sobre o ocorrido por meio da Defesa Civil. Coordenador do órgão, Julio Lourenção afirmou que o muro em questão, que pertence a um terreno particular, não apresentava problemas visíveis, como rachaduras, embora fosse antigo. "Não dava para prever, qualquer pessoa ali teria morrido. Choveu 80 milímetros em três horas e meia na terça [17]. E 70 milímetros em uma hora e meia na quarta [18], foi uma chuva inédita. O terreno ficou encharcado, a água não teve tempo de infiltrar na terra e provocou uma pressão de mais de 30 toneladas", aponta Julio. "Na altura do solo, o muro era de arrimo e estava estável, sem problemas aparentes", completa Julio. O órgão orientará o proprietário a diminuir a altura do terreno e construir um novo muro com concreto armado. 

Ler matéria completa