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Conselho de Ética do partido Cidadania recomenda expulsão de Fernando Cury

Deputado alega que está sendo submetido a um julgamento ilegal e de exceção

12/01/2021 - 05h00

Vinícius Abílio/Divulgação

Fernando Cury

Botucatu - O Conselho de Ética do Cidadania recomendou neste domingo (10) que o partido expulse o deputado estadual Fernando Cury, de Botucatu (100 quilômetros), que tocou no corpo da colega Isa Penna (Psol) no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo, em dezembro do ano passado, e é alvo de um procedimento disciplinar interno.

O relatório da comissão, agora, será submetido ao diretório nacional da sigla, que pode acatar ou rejeitar a medida. A legenda, que iniciou a análise do caso em 22 de dezembro - cinco dias após a revelação do fato -, já havia afastado o filiado das funções partidárias.

Segundo comunicado do partido, "a importunação sexual sofrida pela deputada fere frontalmente o código de ética do Cidadania". A sigla citou como justificativa artigos que obrigam os filiados a respeitarem condições como gênero, cor/raça e orientação sexual.

"O fato é grave e insolente, não nos permite outra interpretação que não a de estarmos diante de um acontecimento desrespeitoso e afrontoso, que deve ser combatido", afirmou a relatora do caso no conselho, Mariete de Paiva Souza.

A sugestão pela expulsão, que é a mais dura punição imposta a um filiado por violação de conduta ética no partido, foi acolhida por unanimidade pelo conselho.

Cury, que se diz inocente, apresentou defesa à comissão e contestou a validade do processo aberto para investigá-lo. Seu advogado, Roberto Delmanto Junior, alega que o cliente não foi informado adequadamente sobre a acusação nem teve amplo direito de defesa.

Em nota, o parlamentar informou que a indicação pela expulsão já havia sido anunciada em dezembro pelo presidente do Cidadania. "Não tenho dúvidas de estar sendo submetido a um julgamento ilegal, sumário e de exceção, que viola o Código de Ética do próprio partido e a Constituição Federal", declarou.

"Dentro da Assembleia Legislativa de São Paulo, onde respeita-se o direito de defesa e o devido processo legal, irei demonstrar que não violei o decoro parlamentar, bem como jamais assediei nem tive, em nenhum momento, a intenção de constranger a nobre deputada Isa Penna, a quem respeito e sempre respeitei".

À reportagem, Isa afirmou que, com o parecer deste domingo, "o Cidadania demonstra retidão e pode ser o primeiro partido a expulsar um parlamentar por assédio". "Se confirmada, a decisão pode ser um precedente fundamental para a luta contra o assédio machista no Brasil", disse.

O CASO

A revelação de que Isa foi apalpada por Cury veio a público no dia 17 de dezembro. Em discurso na tribuna da Assembleia, ela afirmou que, no dia anterior, foi acariciada pelo deputado durante uma sessão para votar o orçamento do estado para 2021.

Imagens gravadas pelas câmeras da Casa e exibidas na ocasião mostraram Cury se aproximando por trás e tocando o corpo dela. O caso, tratado como importunação sexual, também é apurado pelo Ministério Público (MP) e pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia.

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