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'Free Fire' atrai indígenas de Avaí

Jovens das quatro aldeias começaram a se interessar pelo jogo há três anos e, hoje, disputam campeonato interestadual

por Lilian Grasiela

02/03/2021 - 05h00

Tiago Nhandewa

Indígenas das etnias Guarani e Terena jogando Free Fire no barracão de festas da aldeia Tereguá

Avaí - Indígenas da Terra de Araribá, em Avaí (39 quilômetros de Bauru), estão participando da Copa das Aldeias de Free Fire - um jogo eletrônico de tiro e sobrevivência disponível no celular e bastante disputado por adolescentes, jovens e adultos de todo o mundo. O campeonato, que é interestadual, já teve duas edições, em dezembro de 2020 e janeiro de 2021 e, atualmente, encontra-se nas últimas partidas da terceira edição. No final do torneio, campeões e melhores classificados recebem premiações em dinheiro através de moedas virtuais.

O professor e antropólogo Tiago Nhandewa conta que o Free Fire passou a se tornar uma realidade entre jovens indígenas de faixas etárias diversas e diferentes etnias (Terena, Guarani, Kaingang e Kruaya) das aldeias Tereguá, Nimuendaju, Ekeruá e Kopenoti em setembro de 2017.

"Somente na aldeia Tereguá, são 22 jogadores, entre aqueles que jogam avulsos e aqueles que pertencem às duas equipes oficiais da aldeia, a Clã Terena e Terena-Kaingang-Guarani (TKG)", revela. "Além dessas duas, há outras equipes que são das demais aldeias da Terra Indígena".

Segundo ele, alguns dos competidores que se destacaram nessa copa foram até selecionados para compor as equipes chamadas "Guildas" mais reconhecidas no modo competitivo. Em Araribá, foram cinco meninos selecionados, sendo dois da aldeia Tereguá e três da aldeia Kopenoti.

"Vejo que essa competição interestadual também é uma competição interétnica porque, no passado, haviam disputas entre etnias rivais, às vezes por território ou por alguém que se casava com alguém da aldeia vizinha. Agora, são conflitos virtuais, mas que não deixam de ter certa relevância nas questões culturais, como território, identidade étnica e língua indígena", avalia.

"Esses aspectos são trazidos em algum momento do jogo ou da competição. Eles (indígenas) também buscam o protagonismo e autonomia indígena, mostrando que são capazes de estarem onde eles quiserem, sem deixar sua cultura".

Adrian de Lima, conhecido como Keno NQT, foi um dos jogadores que se destacaram na última edição. Ele já passou pela Guilda TKG e, hoje, está na Guilda NQT. "Eu pretendo crescer no Free Fire, fazer live, ser streamer, começar a ganhar dinheiro", declara. "Quero ser um jogador conhecido". A Copa das Aldeias é organizada por indígenas e não indígenas e transmitida pela página do facebook Copa das Aldeias.

 

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