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Covid leva mãe e filho em três dias

Ambos eram moradores de Iacanga, mas estavam em tratamento no Hospital Estadual, em Bauru, após doença agravar

por Larissa Bastos

01/05/2021 - 05h00 atualizado às 09h00

Arquivo pessoal

Josefina, de 81 anos, chegou a ser intubada

Iacanga - Em um intervalo de apenas três dias, o coronavírus levou dois membros de uma mesma família de Iacanga (50 quilômetros de Bauru). Mãe e filho ficaram internados no Hospital Estadual (HE) de Bauru por cerca de 10 dias, porém, eles não resistiram às complicações da doença. Josefina Collina, de 81 anos, morreu em 17 de abril, e Fábio Collina, de 56 anos, faleceu no dia 20 de abril.

Conforme conta Simone Áurea Collina Pereira, de 54 anos, filha de Josefina e irmã caçula de Fábio, foram cerca de 15 dias desde o primeiro sintoma até a morte de ambos. "Tudo começou quando ela apresentou infecção de urina. Levamos no médico em Iacanga, que disse que não tinha como ser Covid porque não tinha sintomas característicos, e não pediu chapa do pulmão nem teste. Ela foi liberada para continuar o tratamento em casa", relata.

Porém, depois de três dias, Josefina apresentou febre alta e a família precisou retornar ao hospital mais duas vezes. "Na segunda vez, de novo o doutor não quis tirar chapa do pulmão dela, mesmo ela tendo 81 anos, e nos mandou para casa. Quando voltamos pela terceira vez, já era outro médico de plantão e ele pediu o raio X, que mostrou 75% do pulmão dela comprometido", lembra Simone.

Com isso, Josefina ficou internada na unidade, com suporte de oxigênio, enquanto aguardava por vaga no HE. Neste período, Fábio começou a apresentar falta de ar. Foi feito um raio X do pulmão dele, que também tinha 75% da capacidade comprometida. "Minha mãe foi intubada em um sábado, e meu irmão alguns dias depois. Ela se foi sem saber que o filho teve quadro grave da Covid, porque estava intubada e inconsciente. E acredito que meu irmão faleceu sem saber da morte da mãe, porque estava intubado, acometido pela mesma doença", conta a familiar.

SEGUNDA ONDA

Nesta segunda onda da pandemia, têm sido mais frequentes os relatos de famílias que perderam mais de um membro para a doença em toda a região de Bauru, e até no País. "Não entendo o que aconteceu, porque foi tudo muito rápido. Só tenho a lamentar que as pessoas não levam a sério esse vírus. Ele acaba com uma família toda e a dor é imensa, insuportável. Perdi minha mãe, meu porto seguro, e meu irmão, meu maior confidente. Meus dois amores se foram", lamenta Simone.

Agora, ela espera que a mãe seja lembrada, sempre, por ter sido guerreira e batalhadora: "Ela era calma, tranquila, gostava de cuidar de todos e dos animais. Sempre cuidava dos bichinhos que encontrava. Ela adorava comer comida saudável.Sem contar que era corinthiana roxa".

Já Fábio é retratado por Simone como uma pessoa humanitária, que ajudava, na medida do possível, a todos. "Um irmão maravilhoso e filho exemplar. Éramos muito amigos. Vou lembrar com carinho dos nossos momentos, quando brincávamos de rolimã, e das vezes que queimei a perna na mobilete dele. Sempre juntos", diz, emocionada.

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