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Baririense relata tensão em meio à 'caçada humana' a Lázaro em GO

Aposentado Marcos Tadeu Antonio e esposa Gilka Lopes moram em chácara na área rural de Brasília, na divisa com Goiás

por Lilian Grasiela

24/06/2021 - 05h00

Divulgação

Local da chacina que deu origem à caçada a Lázaro Barbosa fica a cerca de 26 quilômetros da chácara onde o casal mora

Os crimes recentes cometidos por Lázaro Barbosa e a caçada policial ao criminoso, que já dura mais de duas semanas, colocaram fim à tranquilidade nas zonas rurais do Distrito Federal e de Goiás e alteraram a rotina dos moradores dessas regiões, que temem pela sua segurança. Em meio a esse clima de tensão e de medo, o aposentado baririense Marcos Tadeu Antonio, 53 anos, e a sua esposa, a servidora pública Gilka Lopes, 35 anos, que moram em uma chácara na área rural de Brasília, próximo à região de Brazlândia, contam sobre a expectativa pela localização e prisão do homem mais procurado dos últimos tempos no País.

Por questão de segurança, eles pediram para não ter a foto divulgada. A notícia da chacina de uma família em Ceilândia (DF), em 9 de junho, atribuída à Lazaro Barbosa, acendeu o sinal de alerta. O local fica a cerca de 26 quilômetros da chácara onde o casal mora. "A reação imediata foi de compadecimento pela tragédia noticiada. Poderia ter sido qualquer um de nós, pois, ao que tudo indica, a escolha dessa família assassinada pode ter sido aleatória. Além disso, aumentou nosso nível de alerta e a preocupação com a nossa segurança na chácara", diz Antonio.

Atualmente, as buscas pelo criminoso se concentram na região do Distrito de Girassol, em Goiás, que fica distante cerca de 39 quilômetros da propriedade dos dois. Por conta de compromissos no Distrito Federal, há alguns dias, eles estão ficando na área urbana. Nesta quarta-feira (23), foram de dia até a chácara para cuidar das plantas. A servidora admite que ficar lá, neste momento, lhe deixa insegura. "Acabamos vindo para nossa casa na cidade de Brasília por termos afazeres por aqui", afirma. "Mas prefiro ficar na cidade até as coisas se resolverem".

O casal revela que a série de crimes imputados a Lázaro mexeu com a rotina dos moradores da região pelo fato de o paradeiro dele ser incerto. Apesar de pontuar que a violência não é exclusiva dos grandes centros e dizer que, já há algum tempo, ela faz parte do dia a dia de quem mora no campo, o aposentado pondera que o caso Lázaro tem um agravante. "Nesse caso em especial, a questão vai além da violência patrimonial, pois há relatos de que ele pode ter cometido violência sexual, o que indica a sua alta periculosidade e imprevisibilidade", afirma.

'CURIOSIDADE POPULAR'

O casal também falou sobre a caçada ao criminoso, que vem mexendo com o imaginário popular. "O fato de ser noticiado pela mídia ajuda a disseminar a informação, e as pessoas podem reconhecer o fugitivo. Porém, criou-se uma espécie de curiosidade popular, algo que soa como um roteiro de filme, devido à mobilização de tantos policiais em torno de uma pessoa. Todos querem dar palpite na estratégia de busca, todos ficam à espera do desfecho", declara Lopes.

"Mas, infelizmente, não se trata de um filme, e ficamos tristes quando vemos pessoas fazendo determinadas piadas com essa operação, pois houve mortes e muitas famílias ainda estão sendo afetadas, ao terem que sair de suas casas por medo, por exemplo. Outra coisa que nos entristece é o número de trotes que a polícia vem recebendo, com pistas falsas sobre o criminoso. Eles acabam averiguando tudo o que chega para eles. Isso atrapalha demais".

Na avaliação de Antonio, essa dificuldade das equipes policiais em encontrar Lázaro, que vem se tornando alvo de muitas críticas e piadas, se justifica pelas características da área e pelo conhecimento que ele tem da mata. "A região tem muita vegetação e córregos, o que prejudica a visão aérea e dificulta deslocamento das equipes", argumenta. "Não esperamos que ele seja abatido, e tememos que a 'selvageria' seja atiçada com essa 'caça' ao Lázaro. O que esperamos é que ele, assim como outros autores de crimes bárbaros, seja capturado, julgado e cumpra sua pena em regime fechado. O sistema penal falhou ao conceder benefícios a um criminoso".

CRONOLOGIA

No dia 9 de junho, segundo a polícia, Lázaro Barbosa matou a tiros e facadas uma mulher, o marido dela e dois filhos do casal em Ceilândia (DF) e roubou a propriedade. Durante a fuga, teria cometido novos crimes - baleou moradores de uma chácara, fez outros reféns, roubou carros e armas e trocou tiros com funcionário de uma fazenda e com policiais.

Uma megaoperação foi montada com o objetivo de capturá-lo, incluindo polícias estaduais de Goiás e do DF e Polícias Federal e Rodoviária Federal. As buscas entram nesta quinta-feira no 16º dia. Foragido do sistema prisional, Lázaro possui condenações por duplo homicídio e acusações de tentativa de latrocínio, estupro, roubo à mão armada e porte ilegal de arma.

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