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Qualidade do Tietê 'cai' em Botucatu

Água, classificada como 'boa' em 2020, foi avaliada como 'regular' este ano; em Barra Bonita, trecho se manteve 'regular'

por Lilian Grasiela

23/09/2021 - 05h00

Prefeitura de Botucatu

Bairro Rio Bonito, em Botucatu, foi um dos locais na região com análise da qualidade do rio Tietê

Estudo divulgado nesta quarta-feira (22), Dia do Rio Tietê, pela Fundação SOS Mata Atlântica, revela que, de forma geral, houve uma melhora na qualidade da água da bacia hidrográfica do rio Tietê. No trecho de coleta em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), contudo, a classificação "boa" do Tietê, alcançada no ano passado de forma inédita desde o início do levantamento, em 2010, passou para "regular" neste ano. Em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), qualidade da água se manteve no mesmo patamar nos dois anos, com avaliação "regular".

Os dados fazem parte do relatório "Observando o Tietê 2021", que integra o projeto Observando os Rios, e levam em conta medições feitas entre setembro de 2020 e agosto de 2021. Em Botucatu, a coleta foi feita em trecho do rio que corta o bairro Rio Bonito. Em Barra Bonita, a análise ocorreu em área que antecede o ponto de lançamento de esgoto do município.

O monitoramento é feito por voluntários da SOS Mata Atlântica ao longo de 576 quilômetros do rio, desde a nascente, em Salesópolis, até a jusante da eclusa do Reservatório de Barra Bonita. Os dados finais foram obtidos com base na média do Índice de Qualidade da Água (IQA) em 53 pontos de coleta distribuídos por 21 rios (Tietê e afluentes), em 25 municípios.

De acordo com a Fundação, uma tendência geral de melhora é verificada desde 2016, quando a qualidade predominante da água nas bacias monitoradas passou a ser regular em grande parte dos pontos de coleta - foi de 59,15% em 2015 a 66,3% em 2020, chegando a 67,9% na atual análise. A água de boa qualidade também vem aumentando: passou de 4,23% em 2010 para 7,2% em 2020, alcançando 11,3% neste ano.

Com isso, a água boa e regular, que permite usos múltiplos e vida aquática, estendeu-se a 407 quilômetros do rio - o que representa 70,63% de todo trecho monitorado. A água com qualidade ruim, que representava 44,95% em 2015, foi reduzida a 25,3% no ano passado e caiu para 13,2% em 2021. A mancha de poluição, que atingia em 2020 150 quilômetros do rio, foi reduzida em 65 quilômetros neste ano, ou quase 50%.

CONTRAPONTO

Por outro lado, ainda segundo a SOS Mata Atlântica, além de pontos de coleta com água de ótima qualidade não serem observados desde 2010 na bacia, a categoria péssima apresentou crescimento. Se entre 2010 e 2020, a queda foi de 9,86% para 1,2%, em 2021 o patamar retornou aos 7,5%. Os registros de água péssima foram feitos em pontos do rio em São Caetano do Sul e na capital paulista.

"É urgente que a Bacia do Alto Tietê, através do seu Comitê de Bacia Hidrográfica, passe a propor metas progressivas de enquadramento dos corpos d'água para que o rio Tietê possa chegar à classe 3 no trecho metropolitano e, dessa forma, levar água de melhor qualidade ao interior do estado", declara Gustavo Veronesi, coordenador técnico do projeto Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica.

O estudo conclui que, apesar da melhora, há ainda uma longa trajetória para que a qualidade da água na bacia alcance um patamar compatível com a importância do maior rio do Estado de São Paulo. "Em tempos em que a emergência climática traz diversos desafios ao acesso a água com qualidade e quantidade, um rio da dimensão do Tietê deve ser tratado como uma importante alternativa à segurança hídrica no Estado de São Paulo", afirma Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.

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