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MPT intervém, mas trabalhadores seguem sem pagamento em Lençóis

Órgão intermediou nesta quinta audiência entre Sindicato da categoria, Niplan e Bracell, mas reunião terminou sem acordo

por Lilian Grasiela

24/09/2021 - 05h00

Reprodução/redes sociais

Trabalhadores protestaram

Lençóis Paulista - O Ministério Público do Trabalho (MPT) realizou audiência na tarde desta quinta (23) com representantes da Niplan Engenharia e Bracell, atendendo a pedido do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e Mobiliário de Bauru e Região, para tentar solucionar o impasse envolvendo atraso no pagamento de salários e verbas rescisórias a cerca de 950 trabalhadores que prestaram serviços nas obras do Projeto Star, em Lençóis Paulista. Apesar da tentativa de conciliação, a reunião terminou sem acordo.

Pela manhã, grupo de trabalhadores protestou pelo terceiro dia consecutivo e caminhou da sede da Bracell até a prefeitura, onde foi recebido pelo chefe do Executivo, Anderson Prado (leia abaixo). Conforme apurado pelo JC, na audiência com o MPT, o Sindicato contou que os funcionários, contratados pela Niplan, deveriam ter recebido as verbas rescisórias no último dia 17, o que não ocorreu. Muitos retornaram para suas cidades de origem, mas cerca de 450 permanecem em Lençóis e devem deixar seus alojamentos nesta sexta (24).

A Niplan alegou ao MPT que apresenta situação financeira desfavorável e não possui condições de pagar as verbas rescisórias, no montante de quase R$ 14 milhões. Já a Bracell argumentou que repassou à empresa de engenharia 100% do contratado, apesar de, segundo ela, ter sido executado apenas 85% do projeto. A Companhia afirmou também que a Niplan tem condições de honrar com seus compromissos e que estaria deixando de efetuar os pagamentos para colocar os operários no meio de uma discussão jurídica com ela.

A reportagem apurou que, na reunião, a Bracell se comprometeu a pagar as despesas de alimentação e de hospedagem aos trabalhadores que continuam em Lençóis Paulista até o dia 3 de outubro, além de custear refeição e retorno desses operários para suas cidades. Segundo o MPT, as duas empresas devem anexar aos autos documentos comprovando pagamentos, contratos e aditamentos até às 10h desta sexta. O JC entrou em contato com as assessorias da Bracell e Niplan, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

Por nota, o prefeito Anderson Prado disse que recebeu em seu gabinete dois representantes dos trabalhadores. "Após a audiência, se houver necessidade, a Prefeitura irá notificar as empresas para evitar situações sociais extremas oriundas da situação, a fim de proteger a integridade destes trabalhadores", declarou.

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