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Avaí contribui com proposta de mudança na educação indígena

Documento foi entregue por professores e lideranças indígenas, na semana passada, à Secretaria Estadual de Educação

por Lilian Grasiela

23/06/2022 - 05h00

Chicão Terena/Divulgação

Chicão Terena e alunos da escola indígena da aldeia Kopenoti

Avaí - Lideranças indígenas paulistas entregaram à Secretaria Estadual de Educação (Seduc), na última semana, proposta de diretrizes curriculares para a educação escolar indígena no Estado. O documento, elaborado por professores, pais e líderes dos territórios indígenas, busca orientar trabalhos da pasta na resolução de problemas enfrentados pelas comunidades no cotidiano escolar (leia mais abaixo). O cacique Chicão Terena, da aldeia Kopenoti, representou a Terra Indígena de Araribá, em Avaí (39 quilômetros de Bauru), nas discussões.

Formado em Geografia, o cacique é professor indígena da aldeia. Segundo ele, a proposta busca garantir uma "educação intercultural" e "diferenciada" aos povos indígenas, que contribua com a manutenção da cultura e dos territórios e valorize memórias e histórias, fortalecendo a identidade étnica e da língua, o sistema de conhecimento e modo de vida de cada comunidade.

"Essas diretrizes curriculares para a educação escolar indígena na educação básica do Estado de São Paulo têm como principal objetivo assegurar os princípios da educação escolar indígena, a especificidade do bilinguismo e o multilinguismo, valorizando a língua, os conhecimentos e as práticas tradicionais de cada povo existente no Estado de São Paulo", destaca Chicão Terena.

De acordo com ele, uma das pautas principais defendidas pelas lideranças indígenas é a criação de uma Diretoria de Ensino Indígena que represente interesses da escolas indígenas paulistas. Hoje, por exemplo, segundo o cacique, as escolas da Terra de Araribá são ligadas à Diretoria Regional de Ensino de Bauru. "Seria um projeto pioneiro dentro do Estado brasileiro", afirma.

A PROPOSTA

A proposta de diretrizes curriculares para a educação escolar indígena no Estado foi elaborada por grupo de trabalho, com acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF). Além da criação da Diretoria de Ensino Indígena, o documento contempla a priorização de gestores e professores indígenas, com formação inicial e continuada em licenciaturas interculturais específicas; a construção de calendários escolares diferenciados, adequados às particularidades de cada comunidade; a garantia de merenda saudável, que respeite hábitos alimentares locais; e a adoção de materiais didáticos que valorizem os costumes, tradições e sistemas de conhecimento específicos das culturas indígenas.

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