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Saúde

Saúde na palma das mãos

Do grego, quiro (mão) e praxis (praticar), a quiropraxia é um tratamento natural que promete auxiliar na resolução de problemas de todo o organismo

por Daiana Dalfito

15/07/2007 - 07h00

O assunto é: quiropraxia. Ouvindo assim parece algo complicado, mas, na verdade, o tratamento que leva essa titulação é mais simples do que parece. Quiropraxia nada mais é do que a manipulação, o ajuste das articulações. “De maneira mais fácil, a coluna está fora do lugar, o quiropraxista recoloca no prumo através da manipulação”, explica o fisioterapeuta com especialização em quiropraxia Tiago Masotti.

Mas, atenção! Quiropraxia não é estralar a coluna como muita gente pensa, é manipular. “Alguns estalidos podem acontecer quando a coluna ou a articulação está ‘crocante’, mas não são regra”, diz Masotti.

A coluna, também, não necessariamente precisa estar fora do lugar, uma simples movimentação errada que venha a causar danos a longo prazo pode ser corrigida. A técnica também não se restringe à coluna, podendo ser aplicada em qualquer articulação, porém a coluna vertebral é o principal foco da quiropraxia.

O tratamento se concentra nessa região porque a base da quiropraxia é a crença de que o corpo tem características auto-reguladoras e autocuradoras. O cérebro regula nossas atividades – inclusive as de autocura - e suas “ramificações” levam as informações passando pela coluna vertebral, que, com seus ossos móveis, protege as trilhas de comunicação da medula espinhal e suas raízes nervosas.

Cada vértebra seria responsável por “resguardar o comando” de uma região do corpo, como um órgão. Essas enervações que partem em todas as direções do corpo são afetadas se há um mau posicionamento da coluna, o que pode causar o mau funcionamento dos tecidos e órgãos como rins, fígado e até da musculatura. Os quiropraxistas chamam esse quadro de complexo de subluxação.

Por exemplo, cita Masotti, quando a coluna está mais rígida na região toráxica, o corpo tende a compensar essa rigidez com uma maior mobilidade de outras partes da coluna. “A quiropraxia tenta devolver a mobilidade da coluna naquela região enrijecida. Durante a manipulação, dependendo do caso, alguns estalidos acontecem”, completa.

O fisioterapeuta salienta, ainda, que a quiropraxia é uma técnica mais eficaz, a curto prazo, que a própria fisioterapia. Em poucas sessões, dependendo do caso, o alívio das dores e até a resolução do problema aparecem.

Com um diagnóstico de duas hérnias de disco no topo da coluna e fortes dores, o representante comercial Laércio Augustinho, 52 anos, conta que já tentou todos os tratamentos para, ao menos, amenizar suas dores.

“Faz três anos que descobri as hérnias e já tentei alongamentos, fisioterapia e uma série de tratamentos que não me fizeram sentir melhoras significativas, nem a longo prazo”, conta Augustinho. Ele, há dois meses, recorreu à quiropraxia e disse que suas dores são menos constantes e intensas. A freqüência das sessões diminui com o tempo e a melhora do quadro. No caso de Augustinho, as manipulações caíram de uma vez por semana para uma vez a cada duas semanas.

Joga, puxa e aperta

E, é bom dizer, quiropraxia não dói e os efeitos colaterais não devem passar de um “dolorido”, como os ocasionados após atividade física intensa. Também é preciso salientar que não é qualquer pessoa que pode aplicar o tratamento, apenas profissionais com conhecimento sobre o assunto podem manipular o corpo de outra pessoa com segurança. As conseqüências da imprudência podem ser sérias.

A dor é um indício de problema, mas não existe qualquer tratamento que resolva sua causa e pronto, com a quiropraxia acontece o mesmo. Masotti explica que para o tratamento ser aplicado o melhor é passar por um exame médico. Exames detalhados como o raio X e mesmo a ressonância magnética auxiliam no diagnóstico preciso e apontam problemas que, por vezes, as pessoas não sabem que têm.

Pinçamento nervoso, travamentos, hérnias são alguns dos problemas que são tratados pela quiropraxia. As consultas podem parecer iguais, mas cada avaliação acrescenta algo anterior por que cada paciente é tratado conforme a idade, a condição e problema. Crianças e idosos também podem receber o tratamento, que tem como uma das particularidades a ausência de uso de medicamentos ou cirurgias.

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Trâmites legais

Segundo Tiago Masotti, fisoterapeuta e quiropraxista, a técnica da quiropraxia é aceita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) praticamente desde sua criação nos Estados Unidos, mas no Brasil ela ainda não é reconhecida pelo Ministério da Saúde (MS). Apesar disso, existe uma resolução do Conselho Federal de Fisioterapia que reconhece a prática como especialização da fisioterapia há mais de uma década.

“Há uma disputa no Congresso Nacional para que a quiropraxia seja realmente uma especialidade da fisioterapia porque, segundo uma lei de 1969, todo trabalho feito com a mão, como a massagem, é de exclusividade do fisioterapeuta”, completa Masotti.

Para o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de São Paulo (Crefito), a quiropraxia é reconhecida e indicada como um dos métodos de tratamento no âmbito da fisioterapia.

Apesar disso, o presidente do Crefito, Gil Lúcio Almeida, esclarece que é preciso estar atento e apenas se submeter à quiropraxia prestada por profissionais com sólida formação para evitar problemas.

No Brasil são apenas dois cursos de especialização, um em São Paulo e outro no Rio Grande do Sul. Por outro lado, existem muitos técnicos em quiropraxia trabalhando hoje no País, vários deles formados pelo Instituto Matheus de Souza, reconhecido na área.

Almeida ainda diz que o Crefito está em uma campanha contra a aprovação do projeto de lei (PL) 4.199/2001. “Não é corporativismo, mas o PL tenta criar uma nova profissão e isso traz encargos sociais. É preciso uma estrutura para fiscalizar os profissionais e evitar erros, além da necessidade de que se tenha um vasto corpo de conhecimento científico”, esclarece.

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