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Saúde

Sarampo volta a preocupar

Número de crianças não vacinadas contra a doença é o maior em 20 anos, diz OMS

21/11/2021 - 05h00

Pablo Jacob/Agência O Globo

A pequena Aline Moreira é vacina contra o sarampo: proteção indiscutível

Ao longo do ano passado, em maio ao caos provocado pela pandemia da Covid-19, mais de 22 milhões de crianças perderam a primeira dose da vacina contra o sarampo - 3 milhões a mais do que em 2019. O alerta foi emitido na quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse dado representa o maior aumento em duas décadas e desperta preocupação em relação ao surgimento de novos surtos. As informações são da revista Crescer.

A OMS afirma que embora os casos de sarampo tenham diminuído 80%, em 2020, comparado com o número do ano anterior, o caminho para a eliminação da doença ainda é longo. De acordo com a entidade, o acompanhamento dos casos vem sendo precário.

"O fraco monitoramento, teste e notificação do sarampo colocam em risco a capacidade dos países de prevenir surtos desta doença altamente infecciosa. Os principais surtos de sarampo ocorreram em 26 países e representaram 84% de todos os casos notificados em 2020", diz a instituição em nota.

Esse cenário, somado ao grande número de crianças não vacinadas, pode aumentar os riscos de mortes relacionadas ao sarampo e complicações graves em crianças. "Devemos agir agora para fortalecer os sistemas de vigilância de doenças e eliminar as lacunas de imunidade, antes que as viagens e o comércio retornem aos níveis pré-pandêmicos, para prevenir surtos de sarampo mortais", afirma Kevin Cain, diretor global de imunização do CDC, dos Estados Unidos.

O sarampo é um dos vírus mais contagiosos, porém, a vacinação tem um impacto significativo nessa doença. Segundo o CDC, nos últimos 20 anos, o número anual de mortes estimadas caiu 94%, passando de 1.072.800 para 60.700, evitando uma estimativa de 31,7 milhões de mortes por sarampo no período.

Cobertura cada vez menor

Não foi apenas a cobertura da primeira dose que caiu em 2020. O retorno dos pequenos ao posto de vacinação também tem causado preocupação, pois apenas 70% das crianças receberam a segunda dose da vacina contra o sarampo - bem abaixo dos 95% de cobertura necessária para proteger as comunidades da propagação do vírus.

A pandemia também impactou os programas de imunização. No total, 24 campanhas de vacinação contra o sarampo em 23 países, originalmente planejadas para 2020, foram adiadas por causa da Covid-19, o que deixou mais de 93 milhões de pessoas em risco de contrair a doença.

Kate O'Brien, diretora do Departamento de Imunização, Vacinas e Produtos Biológicos da OMS, ressaltou que o risco de surtos continua crescendo em todo o mundo, mesmo com a diminuição de casos.

"É fundamental que os países vacinem o mais rápido possível contra a Covid-19, mas isso requer novos recursos para que não ocorra à custa de programas essenciais de imunização. A imunização de rotina deve ser protegida e fortalecida; caso contrário, corremos o risco de trocar uma doença mortal por outra", explicou.

Como se proteger

Vacina

O único jeito de evitar a doença é tomando a vacina tríplice-viral (sarampo, caxumba e rubéola), disponibilizada pelo Ministério da Saúde gratuitamente nos postos de saúde. A primeira dose da deve ser tomada aos 12 meses; a segunda, entre 4 e 6 anos de idade - ou até os 29 anos, caso a pessoa tenha pulado o reforço (confira a caderneta de vacinação).

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Dos 29 aos 49, a vacina também existe nos postos, gratuitamente, mas em dose única. A partir dos 50 anos, a pasta considera que a pessoa já foi exposta ao vírus. A vacina vale para a vida toda. Mas se você tem dúvida se está imunizado ou não, vale a pena tomar de novo.

Quem não pode tomar

Gestantes, casos suspeitos da doença e pacientes imunodeprimidos não podem tomar a vacina contra o sarampo. As grávidas devem esperar parir para tomar a dose. O ideal é checar, antes de engravidar, via exame de sangue, se a gestante está ou não imunizada.

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