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Saúde

Obesidade infantil está em alta no País

Estudos alertam que consumo de ultraprocessados é grande em todas as faixas etárias

por Flavia Martin

05/12/2021 - 05h00

Pixabay

No Brasil, a maioria dos bebês inicia a vida se alimentando mal

Mais de um terço das crianças de até 5 anos que foram levadas pelos pais para consulta na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS) no ano passado estavam com excesso de peso, o que inclui o sobrepeso e a obesidade, fatores de risco para doenças como hipertensão, diabetes, câncer e, mais recentemente, a Covid. E quase a metade dessas mesmas crianças, a partir dos 6 meses de vida, já consumiam alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, biscoitos e refrigerantes - no recorte de 2 até 5 anos, o índice foi de 83%.

Esses dados compõem o "Panorama da obesidade em crianças e adolescentes", base de dados lançada pelo Instituto Desiderata a partir de informações coletadas pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde. A leitura dessas informações, no entanto, possui limitações: o Sisvan divulga números absolutos de crianças acompanhadas em cada município, e não a porcentagem do total. Além disso, o percentual de registros no sistema sobre estado nutricional (15,39%) e consumo de alimentos por crianças e adolescentes no país (3,16%) ainda é baixo, apesar dos avanços nos últimos anos.

"O começo (da vida alimentar) já é errado. Não conseguimos mais do que 30 e poucos por cento das mães que alimentam exclusivamente os filhos até o sexto mês de vida com o leite materno, por uma série de fatores. Aí, depois disso, como a fórmula é cara, muitas crianças vão direto para o leite de vaca. Do primeiro ao quinto ano, a criança já vai pro biscoito, refrigerante, achocolatado, e assim por diante", explica Ary Lopes Cardoso, presidente do Departamento de Suporte Nutricional da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Segundo ele, é alto o risco de uma criança com excesso de peso se tornar um adolescente obeso e um adulto com problemas para emagrecer. Para ele, a chave está na educação alimentar dos pais, que conseguem definir o cardápio só até os 11 anos de seus filhos.

Além da obesidade, a outra face desse desajuste alimentar é a carência de nutrientes essenciais para o desenvolvimento das crianças. Gilberto Kac, nutricionista, diz que, apesar de os dados serem imediatamente anteriores à pandemia, já havia, antes, um cenário de insegurança alimentar: a primeira etapa da mesma Enani-2019 mostrou que 47,1% dos lares brasileiros com crianças de até 5 anos já passavam por insegurança alimentar, ou seja, não tinham dinheiro para ter uma alimentação saudável e variada.

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