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Maternidade x mercado de trabalho

Mães deixam emprego cinco vezes mais que pais

por Mariana Tokarnia

12/05/2019 - 07h00

Reprodução/Facebook
Para Mayara Penina, falta rede de apoio para as mães

Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Com dificuldade em conseguir emprego na própria área, Simone Fortuna criou uma espécie de Uber para crianças

Os dias de Simone Fortuna, assim como o de inúmeras mães brasileiras, são cheios. Cuida da casa, leva os filhos para a escola, inglês, natação... Faz o jantar, brinca com as crianças... Vai dormir tarde todos os dias. 

Formada em administração e com experiência em telecomunicações, Simone é uma das mães que tiveram dificuldade em se recolocar no mercado de trabalho formal após o nascimento da filha. Ela tem 51 anos e teve Emanuele aos 46 anos. Trabalhava na área comercial de uma empresa. Quando voltou da licença-maternidade, após a fase na qual o vínculo do emprego é protegido por lei, foi demitida. “Não falaram as razões, mas a gente sabe que tem muito preconceito. Senti isso nas entrelinhas. Disseram que a área de negócios era muito puxada, que eu estava com um bebê e deveria cuidar da minha filha”.

Para não deixar de trabalhar, em 2017 Simone criou o Transporte de Confiança, espécie de Uber, no qual transportava exclusivamente crianças. Um alento para mães que não conseguem dar conta das rotinas.

O caso de Simone, mesmo tendo sido registrado em 2017, não é isolado e é atualíssimo. Uma pesquisa divulgada pela empresa de recrutamento Catho, mostra que, após a chegada dos filhos, as mulheres deixam o mercado de trabalho cinco vezes mais que os homens. A pesquisa foi feita com 13.161 pessoas. O levantamento concluiu que 28% das mulheres deixaram o emprego após a chegada dos filhos, versus 5% dos homens.

Os dados mostram ainda que 21% das mulheres levam mais de três anos para retornarem ao trabalho. A mesma situação para os homens ocorre em apenas 2% dos casos.

“Apesar do discurso ser outro, na prática, em muitas empresas, a mulher não é compreendida. Não compreendem a necessidade, por exemplo, da mulher se ausentar”, diz Simone. "Quando não demite a funcionário, a própria rotina pode levá-la a pedir demissão. Uma vez fora do mercado, as dificuldades em voltar a trabalhar são muitas. Teve um caso específico que disputei uma vaga com 12 candidatos. No final, ficou entre eu e um rapaz. Quando chegou na fase final de entrevista, contei que tinha uma criança de um ano e meio, na época”, conta e diz que no final, não foi contratada.

Empregadores podem incentivar 

Segundo a gerente de relacionamento com o cliente da Catho, Kátia Garcia, há ainda em empresas um certo preconceito, que pode ser comprovado quando analisados os cargos mais altos, ocupados, na maior parte das vezes, por homens. A pesquisa realizada pela empresa mostra que houve um aumento da participação feminina em diferentes cargos, subiu de 54,99% em 2011 para 61,57% em 2017. No entanto, as desigualdades permanecem. Elas ocupavam, em 2011, 22,91% dos cargos de presidência; em 2017, esse número passou para 25,85%.

“Isso pode, sim, ter relação com a maternidade. Quando a mulher está mais próxima de 30 e poucos anos, seria a idade que avançaria para a próxima etapa da carreira. É também, geralmente, a idade que faz opção pela maternidade. Isso pode ter relação com ritmo mais lento de evolução de carreira das mulheres”, diz a gerente.

Há, no entanto, empresas que incentivam as funcionárias e, para Kátia Garcia, isso pode ser uma forma do próprio empregador se beneficiar. “Quando uma mulher se torna mãe, ela desenvolve ou potencializa habilidades que podem ser super bem aproveitadas, como capacidades de comunicação e de liderança. Se a empresa tem percepção disso e investe em políticas internas que façam com que a mulher perceba que seu trabalho é valorizado independente de ser mãe, a empresa tem um ganho gigantesco com isso”, diz Kátia.

De acordo com ela, uma boa estratégia é permitir o trabalho de casa, por home office e horários mais flexíveis, especialmente nos primeiros anos de vida da criança. A empresa pode também investir em treinamentos para que a mulher melhore a administração do próprio tempo. “A mulher vai procurar ser mais eficiente na gestão do tempo para otimizar as entregas no período que está disponível para a empresa. E a empresa não tem nada a perder”, diz.

Cuidar dos filhos não é papel só da mãe

Os dias de Simone Fortuna, assim como o de inúmeras mães brasileiras, são cheios. Cuida da casa, leva os filhos para a escola, inglês, natação... Faz o jantar, brinca com as crianças... Vai dormir tarde todos os dias. 

Formada em administração e com experiência em telecomunicações, Simone é uma das mães que tiveram dificuldade em se recolocar no mercado de trabalho formal após o nascimento da filha. Ela tem 51 anos e teve Emanuele aos 46 anos. Trabalhava na área comercial de uma empresa. Quando voltou da licença-maternidade, após a fase na qual o vínculo do emprego é protegido por lei, foi demitida. "Não falaram as razões, mas a gente sabe que tem muito preconceito. Senti isso nas entrelinhas. Disseram que a área de negócios era muito puxada, que eu estava com um bebê e deveria cuidar da minha filha".

Para não deixar de trabalhar, em 2017 Simone criou o Transporte de Confiança, espécie de Uber, no qual transportava exclusivamente crianças. Um alento para mães que não conseguem dar conta das rotinas.

O caso de Simone, mesmo tendo sido registrado em 2017, não é isolado e é atualíssimo. Uma pesquisa divulgada pela empresa de recrutamento Catho, mostra que, após a chegada dos filhos, as mulheres deixam o mercado de trabalho cinco vezes mais que os homens. A pesquisa foi feita com 13.161 pessoas. O levantamento concluiu que 28% das mulheres deixaram o emprego após a chegada dos filhos, versus 5% dos homens.

Os dados mostram ainda que 21% das mulheres levam mais de três anos para retornarem ao trabalho. A mesma situação para os homens ocorre em apenas 2% dos casos.

"Apesar do discurso ser outro, na prática, em muitas empresas, a mulher não é compreendida. Não compreendem a necessidade, por exemplo, da mulher se ausentar", diz Simone. "Quando não demite a funcionário, a própria rotina pode levá-la a pedir demissão. Uma vez fora do mercado, as dificuldades em voltar a trabalhar são muitas. Teve um caso específico que disputei uma vaga com 12 candidatos. No final, ficou entre eu e um rapaz. Quando chegou na fase final de entrevista, contei que tinha uma criança de um ano e meio, na época", conta e diz que no final, não foi contratada.

Empregadores podem incentivar 

Segundo a gerente de relacionamento com o cliente da Catho, Kátia Garcia, há ainda em empresas um certo preconceito, que pode ser comprovado quando analisados os cargos mais altos, ocupados, na maior parte das vezes, por homens. A pesquisa realizada pela empresa mostra que houve um aumento da participação feminina em diferentes cargos, subiu de 54,99% em 2011 para 61,57% em 2017. No entanto, as desigualdades permanecem. Elas ocupavam, em 2011, 22,91% dos cargos de presidência; em 2017, esse número passou para 25,85%.

"Isso pode, sim, ter relação com a maternidade. Quando a mulher está mais próxima de 30 e poucos anos, seria a idade que avançaria para a próxima etapa da carreira. É também, geralmente, a idade que faz opção pela maternidade. Isso pode ter relação com ritmo mais lento de evolução de carreira das mulheres", diz a gerente.

Há, no entanto, empresas que incentivam as funcionárias e, para Kátia Garcia, isso pode ser uma forma do próprio empregador se beneficiar. "Quando uma mulher se torna mãe, ela desenvolve ou potencializa habilidades que podem ser super bem aproveitadas, como capacidades de comunicação e de liderança. Se a empresa tem percepção disso e investe em políticas internas que façam com que a mulher perceba que seu trabalho é valorizado independente de ser mãe, a empresa tem um ganho gigantesco com isso", diz Kátia.

De acordo com ela, uma boa estratégia é permitir o trabalho de casa, por home office e horários mais flexíveis, especialmente nos primeiros anos de vida da criança. A empresa pode também investir em treinamentos para que a mulher melhore a administração do próprio tempo. "A mulher vai procurar ser mais eficiente na gestão do tempo para otimizar as entregas no período que está disponível para a empresa. E a empresa não tem nada a perder", diz.