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A volta do Malthuzianismo

por PEDRO GRAVA ZANOTELLI

13/08/2019 - 06h00

Em 1798, na Inglaterra, Thomas Robert Malthus, um clérigo anglicano, estudioso de assuntos econômicos publicou, anonimamente, em panfletos um ensaio sobre o crescimento da população mundial e a consequente escassez de alimentos, porque enquanto o crescimento da população se dava em progressão geométrica a produção aumentava apenas em progressão aritmética. Chegaria o dia em que não haveria alimento para todos. Em 1803 ele assumiu a autoria e publicou o "Ensaio sobre o princípio da população", que serviu para a formação de teorias sobre o crescimento da população e a fome. Suas ideias, que passaram a ser conhecidas como "malthusianismo", foram muito criticadas por trazerem previsões pessimistas.

Na época em que Malthus escreveu o Ensaio a população mundial caminhava para 2 bilhões de pessoas e a produção de alimentos era baseada na agricultura rudimentar, com ferramentas toscas e na criação irracional de animais de abate.

Tinha fundamento, mas foi exatamente nessa época que se deu a 1ª Revolução Industrial, gerando ferramentas de aço e máquinas que foram aumentando a capacidade de cortar o mato, preparar a terra, plantar, colher e distribuir a produção e o 'malthusianismo' caiu em descrédito. Depois vieram a mecanização, que hoje deslumbra pela alta tecnologia, os defensivos agrícolas e a apuração genética que tornaram o agronegócio uma poderosa força econômica.

A 2ª Grande Guerra desestruturou tanto a produção agrícola como a industrial e nova ameaça de fome fez ressurgir a preocupação de Malthus com o nome de "neomaltusianismo", mas também não durou muito porque a aplicação dos princípios da Administração Científica, com as teorias e técnicas de gerência e treinamento deram prosseguimento às revoluções industriais e hoje existe capacidade produtiva de alimento para sustentar o aumento da população mundial, com 7,7 bilhões, caminhando para os 11,2 bilhões de pessoas em 2100. Somente os países extremamente pobres da África e da Ásia é que vivem com escassez de alimentos.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, que acaba de ser divulgado, alerta novamente para o perigo de insegurança alimentar com o desmatamento, a degradação do solo e a desertificação, como consequências das mudanças climáticas. Se na época de Malthus a ameaça de fome era devido à limitada capacidade de produção de alimentos, hoje esse não é mais o problema, mas a ameaça vem da diminuição da água pelo esgotamento dos mananciais e degradação do solo agrícola.

Um exemplo altamente significativo é o do Rio São Francisco, que está secando dia a dia. E não é pelo uso de sua água na irrigação, mas pelo desmatamento que diminuiu a área de solo permeável, que recolhe a água da chuva para abastecimento do manancial e o lixo das cidades despejado pelos seus afluentes ao longo de seu percurso.

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