Bauru e grande região

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Ouvir mais, falar menos!

por Reinaldo Cafeo

10/10/2019 - 06h00

Sem dúvida alguma são muitos os desafios da economia brasileira. De um lado, um batalhão de desempregados, e de outro lado, empreendedores querendo produzir e para tanto esperando um ambiente econômico mais favorável para investir.

Para fazer a economia entrar nos trilhos novamente, as reformas estruturantes são fundamentais. A reforma previdenciária em curso é um primeiro e importante passo, mas há muita coisa a ser feita. Muitas outras reformas, como a tributária, precisam andar. Considerando que é preciso harmonizar o executivo, legislativo e judiciário, portanto, as reformas são negociadas com os vários atores que compõem o mapa político brasileiro, sem dúvida alguma a capacidade de amarrar todas as pontas é o que fará a diferença.

É isso que é observado na prática diária neste ambiente político? Não. A começar pelo presidente Bolsonaro. Tendo que contar com seu partido, com seus aliados e ainda convencer os opositores ao seu governo, Bolsonaro não demonstra nenhum esforço nesta direção. Comporta-se como se as reformas fossem um projeto de seu ministro, Paulo Guedes. É só observar o seu desvio de foco. O mais recente desvio foram as suas colocações sobre seu partido, PSL, e o comando do mesmo, inclusive gerando especulações de sua possível saída do PSL. Ora, se há necessidade de uma base forte no Congresso para levar em frente seus projetos, o que menos é preciso fazer agora é confrontar.

Confronto: talvez seja esta a forma que o presidente Bolsonaro (imitando o presidente dos Estados Unidos Donald Trump) escolheu para governar. Sempre tem que eleger um inimigo. Esta beligerância não nos levará a porto seguro.

A questão toda é: por mais personalista que seja, por mais respaldo popular que obtenha (por sinal, está em queda), é preciso ser mais Estadista, pensar no coletivo e não somente naqueles que rodeiam o governo. Se o presidente Bolsonaro ouvisse mais e falasse menos, as coisas no Brasil já teriam outro rumo. Lembro o caos social e o quanto certas colocações e confrontos retardam a recuperação econômica e a geração de riqueza, estas sim, mais que necessárias.

Caro presidente Bolsonaro: siga o ensinamento de Lúcio Sêneca (intelectual do Império Romano) "Deus dotou o homem de uma boca e dois ouvidos para que ouça o dobro do que fala". Foco no que é preciso levando em conta o interesse coletivo. Ouvir mais, falar menos!

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