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Reuso, reciclagem, compostagem e aterro sanitário

por Paulo Cesar Razuk

25/10/2019 - 06h00

Até há pouco a maior parte do lixo municipal era composto de sobras de comida e cinzas da lenha usada na preparação de alimentos. Ao longo da história, quando os tempos se tornam difíceis a resposta sempre foi gastar menos, partilhar mais, conservar melhor as coisas e consequentemente, menor a quantidade de lixo gerada. Hoje o aumento de produtos manufaturados no lixo não é surpresa. Os bens de consumo são tão onipresentes e baratos que é mais fácil e econômico substituí-los do que consertá-los.

O principal desperdício de recursos é a existência do próprio lixo. É preciso considerar que em cada objeto descartado está embutida uma longa história: a extração ou a colheita, a produção, o transporte etc. É um absurdo trancar esses recursos no subsolo após todo esforço despendido em extrair, produzir e distribuir. Os objetos são recursos, exceto aqueles projetados ou produzidos com componentes tão tóxicos que jamais deveriam ter sido concebidos.

Uma folha de papel, uma garrafa de vidro, um saco plástico e uma casca de banana são considerados lixo quando os misturamos, separados eles são recursos; juntos nós os destruímos. Portanto, a regra é canalizar o objeto para o reuso ou para a reciclagem. Considerando que em muitas cidades, restos orgânicos compõem boa parte do lixo, separar esses restos ainda dentro de casa e tratá-los depois pela compostagem é a melhor solução. Dessa forma, os recicláveis não estragam pelo contato com os materiais orgânicos e estes não são contaminados pelos elementos tóxicos presentes nos bens de consumo. O resultado da compostagem é um substancioso fertilizante a ser doado ou vendido.

Hoje o resíduo sólido urbano vai parar em uma grande cratera escavada no chão. Os lixões não ficam mais a céu aberto, contam com forração e sistemas para a recolha do chorume e aí temos o que se chama de aterro sanitário. Aterro sanitário soa melhor que lixão, mas é tudo a mesma coisa: um buraco cheio de lixo que fede e expele gases e líquidos.

O propósito de um aterro é enterrar o lixo de modo a que fique isolado dos lençóis freáticos, seja mantido seco e não entre em contato com o ar. Mas, não importa quão bem arquitetados sejam os aterros, dutos de coleta entupidos ou quebrados ou o transbordamento do chorume pelo alto, frequentemente impedem a eficiência desse sistema. O chorume é uma porção repugnante que pode se infiltrar no solo, contaminando a água da superfície e do subsolo.

Há vastas extensões de terra de excelente qualidade tomadas por aterros. Depois de lotados, são recobertos por terra e em seguida replantados. Muitos são transformados em parques, estacionamentos e até em núcleos habitacionais, mas são áreas condenadas. O lixo se acomoda com o passar do tempo, tornando o terreno instável e assim, estruturas aí erguidas, muitas vezes se deslocam e afundam.

Os adeptos das usinas lixo - energia prometem transformar todos os dejetos em energia, o que soa atraente. Mas, há problemas: o custo é o primeiro. O segundo, ao se queimar algo, vamos ter que voltar a extrair, cultivar, colher, processar, embalar e transportar um novo produto para substituir o que foi destruído. Tudo isso consome muita energia e se o objetivo é conservá-la, faz mais sentido, poupá-la de antemão, reutilizando ou reciclando.

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