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Biografias no cinema

por Oscar D'Ambrosio

12/11/2019 - 06h00

O filme "Hebe - A estrela do Brasil", dirigido por Mauricio Farias, permite uma reflexão sobre o grande número de biografias que é levado ao cinema. Sejam ou não autorizadas, elas despertam no público uma curiosidade natural.

A primeira indagação é qual é o motivo que nos leva a preferir muitas vezes os filmes que, em tese, contam uma história real, mesmo que seja romanceada. É curioso como o cinema, que teoricamente deveria ser um local de exploração da fantasia, vem se tornando uma espécie de residências de documentários.

A segunda, no caso da obra sobre Hebe, é que se torna difícil para o público saber se a retratada reunia de fato as características ali apresentadas, como a consciência contra a censura e a favor das chamadas minorias ou a bebida constante, seja no camarim ou em casa. Torna-se difícil saber quanto há de ficção ou de realidade ali existe. O filme serve para criar um perfil da biografada? A cena em que aparece a representação de Roberto Carlos beira o grotesco, por exemplo. Mas há momentos em que o talento de Andrea Beltrão como atriz se sobrepõe à visão estereotipada que a obra ameaça constantemente criar.

Se a ideia do filme era estabelecer uma faceta de biografia de Hebe a partir de um episódio específico, com a saída dela da emissora Bandeirantes e ida para o SBT, não se pode dizer que o resultado seja inesquecível. Enquanto estabelecimento de um perfil mais geral, há poucas nuanças e muitos estereótipos.

Pessoas não são totalmente boas nem más. É nas nuanças que as personalidades se formam e se apresentam no cotidiano. Sendo assim, "Hebe - A estrela do Brasil" não empolga nos aspectos apontados, mas vale a pena ser visto justamente por permitir uma discussão global sobre as biografias de astros es estrelas [email protected] que recentemente vêm sendo produzidas. Esse resgate da história artística nacional é muito importante e deve ser estimulado.

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