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Márcio: 1 metro e 90 de pura empatia

por Vitor Oshiro

08/01/2020 - 06h00

Quando o ano vira, existe algo mais comum do que os fogos, as vestes brancas e os estouros dos champanhes. É o fato de nós fazermos promessas de mudanças de rumos e melhorias de hábitos. Este 2020, porém, foi bem diferente para mim. Não fui eu quem fiz as promessas; foi o ano quem me fez mudar.

No primeiro dia deste 2020, senti uma dor aguda no abdômen e que me fez descobrir uma pancreatite. Há alguns dias, estou me recuperando no Hospital da Unimed em Bauru (onde fiquei impressionado pela gentileza e carinho dos enfermeiros, técnicos e demais funcionários e pela franqueza e profissionalismo do médico Ronan Paiva).

Mas, não vim aqui para falar de mim, do meu pâncreas cansado ou do sistema de saúde privado. Escrevo estas breves linhas para falar do Márcio, meu "colega de república" hospitalar. O Márcio é um daqueles caras grandes. 1 metro e 90 de altura! Inclusive, foi uma bariátrica que o trouxe ao hospital. Mas, não é só no físico que o Márcio é grande. Grande também é o seu otimismo.

Desde que adentrou ao quarto, ele agradece a Deus por tudo e destaca o quanto sua vida irá melhorar daqui por diante. Transborda felicidade. Uma atitude que, confesso, contrasta muitas vezes com a minha. Uma atitude que, em poucas horas, me fez repensar diversas posições sobre o meu presente e o meu futuro.
Mas não foi só isso que aprendi com o Márcio. O que mais me chamou a atenção nesse homenzarrão que tenta, sem sucesso, não sorrir para não atrapalhar a cirurgia foi o simples gesto de ele chamar as pessoas pelo nome. Isso. Simples assim! Basta o Márcio ouvir uma única vez seu nome e ele passa a te chamar nominalmente, como se te conhecesse há anos.

Parece algo banal, mas fiquei impressionado com o elo de conforto que tal gesto é capaz de criar. E ele fez isso comigo... e ele faz isso com todo mundo! Em períodos de repouso do corpo, a mente fica reflexiva. Talvez, só por isso, enxerguei no Márcio (e na sua esposa, a sorridente Cássia) algo que falta tanto em nossos dias: empatia! 1 metro e noventa de pura empatia!
É, 2020. Você começou como nenhum outro ano começara. Tantos ensinamentos em tão poucos dias. Por isso, eu só quero te agradecer por me presentear com algumas horas ao lado do grande Márcio, pela família maravilhosa que tenho e por dar o pontapé a tantos capítulos que virão em minha vida a partir de agora! Capítulos que, como o meu colega de quarto faz questão de frisar a todo momento, serão de muita felicidade!

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