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EUA X Irã: conflito que pode estragar 2020

por Valmor Bolan

09/01/2020 - 06h00

O ano começa com uma grave crise no Oriente Médio, com muitos dizendo até que poderia ser talvez o início de uma terceira guerra mundial. Os Estados Unidos atacaram uma base militar no Iraque, matando o general iraniano Qassim Soleimani, o número dois do Irã, aumentando assim a tensão não apenas entre os dois países, como em toda a região. O Irã deve vingar a morte de Soleimani, mas especialistas analisam que não há como fazer uma guerra aberta contra os Estados Unidos, que é a maior potência bélica do planeta. Mas é possível que reajam com ataques locais.

Trump ameaçou atingir 52 alvos militares iranianos, caso venha a sofrer alguma retaliação. O fato é que o Irã deve dar uma resposta e ninguém sabe o que pode acontecer.

Ainda é recente o trauma que causou a guerra do Iraque, na região, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque justificando que havia armas químicas, mas depois ficou comprovado que se tratava de uma falácia.

Mesmo assim, a eliminação de Saddam Hussein se tornou uma obsessão de George W. Bush. Do mesmo modo, muitos analistas dizem que Trump agiu com intempestividade ao abater Soleimani, quem sabe pensando também em desviar o foco do processo de impeachment que vem sofrendo em seu país. Mas há quem diga também que ele foi estrategista, na medida em que utilizou um drone para atingir cirurgicamente o alvo, em vez de deslocar milhares de soldados, como fez Bush na guerra do Iraque. Israel também está em estado de alerta, pois o Irã pode fazer retaliações em Israel, que é um aliado dos Estados Unidos. Há dúvidas ainda sobre a posição do Brasil diante desse conflito. Tradicionalmente o Brasil costuma ficar neutro diante de situações como essas, mas, no momento, o contexto político brasileiro é diferente, pois o Governo Bolsonaro é um entusiasta dos Estados Unidos e Israel.

O Brasil pode sofrer alguma consequência no campo econômico, por causa do petróleo, dependendo de como irá evoluir essa crise. Também nãos sabemos ainda a posição da China, da Rússia e do Japão diante do atual panorama. Esperamos que o conflito não seja ampliado, com risco de uma eventual terceira guerra mundial, mas de qualquer forma, precisamos estar atentos aos acontecimentos, e orarmos para evitar uma conflagração com proporções maiores. Angela Merkel, Emmanuel Macron e Boris Johnson pedem a máxima responsabilidade no Oriente Médio. O mundo precisa de paz.

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