Bauru e grande região

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Uma grande lição

por Pedro Grava Zanotelli

10/01/2020 - 06h00

Como sempre, o ano se inicia sob os votos de paz e felicidade, dois estados de vida, individual e grupal que têm sido cantados em verso e prosa sem conseguirem unanimidade de compreensão, porque dependem dos sentimentos que o momento e as condições particulares de cada um inspiram. A unanimidade está apenas no desejo, nem sempre acompanhado do que precisa ser feito para alcançá-los. E preceitos de paz e felicidade não faltam, todas as religiões os pregam à exaustão.

Uma coisa que costuma trazer encorajamento para as pessoas se disporem ao sacrifício exigido para conseguirem ser felizes e viverem em paz, são os exemplos daqueles que obtiveram sucesso nesse empenho. E aqui vai um caso que nos impactou fortemente. Foi contado em autobiografia por Dee Hocck, fundador e CEO Emérito da Visa. De origem humilde no estado de Utah, fez de sua vida o bom exemplo de sucesso. Preparou-se em gestão empresarial e iniciou sua carreira numa pequena agência financeira, recuperando-a. O sucesso lhe valeu o encargo de instalar uma filial, que também teve sucesso, mas esses sucessos só trouxeram benefícios para os proprietários.

Descontente com a falta de reconhecimento demitiu-se e conseguiu emprego em um banco de Seattle, no oeste americano. Ali se sujeitou a aceitar uma posição de estagiário e foi designado para trabalhar com uma funcionária de caixa que era um exemplo de amabilidade com os clientes e uma verdadeira fera com os companheiros. No final do primeiro dia o caixa não fechava por falta de um comprovante de depósito e a 'fera' mandou-o procurá-lo no lixo. Lá encontrou onze latões com papéis e tocos de cigarro, chicletes mascados e restos de comida podre. De terno e gravata ficou indeciso e uma frase martelando em sua cabeça: "Não existe trabalho ruim, só trabalho malfeito, pouco reconhecido e mal pago".

Da reflexão surgiu uma ideia: "Será que alguém que remexe papéis num andar alto de um prédio luxuoso, numa mesa cara, numa sala grande com uma placa dizendo presidente, é uma forma de ser humano superior a alguém que remexe o lixo no porão? De onde vem toda essa bobagem de inferior e superior?" Como resposta, tirou o paletó, arregaçou as mangas e passou a remexer o lixo. Duas horas depois a 'fera' desceu para avisá-lo que tinha encontrado o comprovante de depósito no meio dos outros. Era um desses trotes que se costumam fazer em algumas empresas.

Comportando-se bem com a 'fera', sem subjugar-se, sua carreira deslanchou e acabou sendo convidado para assumir uma franquia que o banco estava fazendo com o BankAmericard para a implantação do Cartão Visa. Foi uma epopeia de mais de vinte anos pelos estados americanos, Europa e Ásia. Em muitos lugares, após meses e até anos de negociação, tudo voltava à estaca zero e precisava ser recomeçado. Mas valeu a pena porque ao se aposentar em 1994 a Visa estava faturando mais de 3 trilhões de dólares.

Criador da teoria de uma "Era Caórdica", sua lição é que: "Sem um propósito comum profundamente enraizado que dê significado à sua vida; sem crenças e valores éticos comuns, que norteiem a conduta na busca do propósito almejado e nos quais todos possam confiar, as comunidades se desintegram e as organizações se tornam instrumento de tirania."

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