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Redes para o bem

por Maria América Ferreira

14/01/2020 - 06h00

O desejo mórbido de algumas pessoas em se satisfazer só com coisas ruins, com maldade, crueldade e até certo prazer com a desgraça de outro, mostra o quanto somos influenciáveis pelo meio em que vivemos. O surgimento e o aumento considerável de pessoas que usam redes sociais (hoje todo mundo tem acesso, ou pelo menos a maioria) fez com que também crescesse essa necessidade das pessoas enxergarem a desgraça no outro para tentar esquecer as suas próprias, ou mesmo para mostrar que elas não têm problemas.

Chega a ser irritante navegar pelas redes e ver duas coisas: a desgraça de alguém, ou um calhamaço de frases feitas que não passam de um engodo. Todo mundo tem problemas, e todos passam por dificuldades no dia a dia. Tentar enganar as pessoas através das referidas redes é no mínimo infantil da parte de quem o faz, embora muitos sejam enganados.

Recentemente observando as publicações, apareceu uma postagem, que não me recordo agora quem é o autor, mas informava que ele havia listado 36 coisas boas que aconteceram durante o ano de 2019. Pode parecer pouco, mas diante de tanta tragédia, é razoável. É óbvio que muito mais coisas boas aconteceram, mas só o fato de alguém se preocupar em mostrar algo bom, já é um começo para a evolução.

A questão que fica é apenas saber por que o ser humano necessita tanto de notícias ruins e tem prazer em espalhar as desgraças, quando seria muito mais sensato, mostrar o que há de bom por aí. O assunto em pauta agora são as doenças mentais em especial a depressão que não vê idade, classe social, religião ou posição política. Ela simplesmente se instala e vai corroendo a pessoa por dentro. As redes sociais colaboram para piorar a situação. Quem já passou por isso ou conhece alguém que vivencia essa experiência, sabe o quão doloroso é. Na maioria das vezes, pensamos que não é possível fazer nada. Porém, não precisa ser especialista para saber que a ajuda pode ser de várias maneiras.

Um abraço, um afago, o saber ouvir, ou um bom papo pode sim animar uma pessoa e fazer com que ao menos ela tenha forças para recomeçar. Tudo isso aliado aos tratamentos disponíveis. É também por isso que crescem os alertas de profissionais médicos em ralação às crianças. Manter uma criança isolada do mundo real, vivendo apenas o virtual, é um passo para que ela seja picada pelo bichinho da depressão.

Por isso os pais devem estar sempre atentos. Toda criança fica encantada com a tecnologia. Elas aprendem rápido. Esse é o tempo em que vivemos. Porém, cuidar para que a criança tenha as experiências do mundo real é o que vai fazer dela um adulto consciente. As famílias esfaceladas são a porta de entrada para que as tragédias ocorram. Podemos usar a tecnologia a nosso favor, para o bem.

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