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As aventura de Alice no País das Maravilhas

por Henrique Matthiesen

06/02/2020 - 06h00

A literatura é fabulosa. Transporta-nos a mundos jamais imaginados e nos conduz à reflexões profundas e análises impensáveis. Uma destas obras clássicas foi escrita por Charles Lutwidge Dodgson, que utilizava o pseudônimo de Lewis Carroll: As aventuras de Alice no País das Maravilhas. A história traz o enredo de uma menina chamada Alice que cai numa toca de coelho e a transporta para um lugar fantástico, povoado por criaturas peculiares e antropomórficas, caracterizado por sonhos, recheado de alusões satíricas, cheio de parodias e poemas.

Em um determinado trecho Alice pergunta ao gato Cheshire: - Pode me dizer o caminho que eu devo tomar? Isso depende muito do lugar para onde você que ir - disse o Gato. Eu não sei para onde ir! - disse Alice. Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve - responde o gato. Esta passagem do livro é de uma profundez aguda que nos remete à mais perturbadora reflexão. Para onde caminhamos? Qual a objetividade da marcha? O que estamos construindo? Qual o sentido de a minha historicidade? Cantamos e encarnamos de forma peremptória o refrão da música de Zeca Pagodinho, "deixa a vida me levar (vida leva eu!)", que dá vazão à mediocridade da existência corrompendo-a; e, pior, contaminando toda a sua volta.

Muitas instituições, empresas, famílias e pessoas vivem o complexo da Alice: não sabem, não compreendem, não conhecem, não objetivam seus caminhos e não vislumbram seu ponto de chegada e coexistem do improviso, da subjetividade, da mediocridade. Perderam suas historicidades, seus sonhos; são seres antiutopia, resumindo, mortos vivos por excelência. Nesta circunstância qualquer caminho serve, qualquer embusteiro convence, qualquer fraude é aceita.

Pedantes, presunçosos e artificiais glorificam a ignorância e desdenham dos grandes projetos e das objetividades preferindo a condição parasitaria do mais do mesmo prevalecendo na ignóbil zona de conforto, até porque, não saber para onde ir é não ter destino, nem objetivo e nem sonho, e muito menos horizonte. As aventuras de Alice no País das Maravilhas é uma belíssima obra de um digno clássico literário e uma fonte inspiradora para aqueles que renunciaram a mediocridade, e o embusteiro de sua própria existência.

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