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Sobre inteligência artificial

por Pedro Grava Zanotelli

09/02/2020 - 06h00

Em editorial publicado no The Financial Times de 20/01 e reproduzido aqui no Brasil, o presidente do Google, Sundar Pichai afirma acreditar que a inteligência artificial precisa ser regulamentada. E diz: "Companhias como as nossas não podem simplesmente construir novas e promissoras tecnologias e deixar o mercado forçar a decisão de como elas devem ser usadas. Cabe igualmente a nós ter certeza de que essa tecnologia é direcionada para o bem e esteja disponível a todos".

Sua preocupação se justifica porque o surgimento de nova tecnologia sempre causa encantamento, que muitas vezes não permite que vejamos possíveis prejuízos. Ele cita o caso da invenção do automóvel, que trouxe muitos benefícios, mas também tem sido a causa de muitas mortes. E tem razão, agora mesmo estamos vendo, com entusiasmo, os avanços de novas tecnologias, principalmente em comunicações e na medicina, mas também possibilitando que hackers devassem a privacidade das pessoas e a Internet veicule "fake news".

A inteligência artificial (IA) é o estágio atual da evolução científica e tecnológica, que começou na Grécia, 450 anos antes de Cristo, com a ideia da existência do átomo. O início desta fase foi no século 19 com a junção do conhecimento do magnetismo com o da eletricidade. Sua plataforma é uma junção da Física de Partículas com a Neurociência e a Ciência da Computação, que viabiliza a pesquisa. Em sua longa caminhada, centrada na indústria, que transforma ideias em coisas, vem produzindo revoluções de progresso, mas também, de intranquilidade social, pelo medo de suas consequências, como o desemprego.

A invenção da máquina a vapor deu origem às fábricas, mas intranquilizou os artesãos; a invenção do automóvel aumentou a produção, mas com a linha de montagem transformou os trabalhadores em robôs humanos; a robotização industrial vem desempregando, mas felizmente está tendo compensação no aumento de oportunidades no setor de serviços e agronegócio. E agora, com a robotização inteligente, no que vai dar? Já há projeção de tabelas de profissões ou ocupações que serão extintas ou muito afetadas e listas de novas competências. O que fazer?

O perigo está em que o foco da educação possa ser desviado da aquisição de conhecimentos básicos para o de familiarização dos alunos com as novidades tecnológicas. Montar kits de robôs e fazer exercício com aplicativos podem servir como recursos didáticos motivacionais, se o professor estiver seguro de como irá explorá-los na aquisição de conhecimentos, senão poderão ficar como brincadeira de soltar pipa. Sem uma formação básica bem feita, do fundamental ao ensino médio, ficaremos à margem da inteligência artificial e da Indústria 4.0.

O que se prevê para os próximos tempos é uma revolução de competências, com destaque para as competências humanas. As ocupações que sobreviverem terão que ser adaptadas, o que se fará com treinamentos. Para as novas ocupações deverão ser criados cursos especiais em níveis adequados. Para os dois casos o requisito indispensável é uma sólida formação escolar básica, pois a IA está nos colocando em plena era do trabalho do conhecimento. Sem ela, sobrará olhar para o desenvolvimento dos outros.

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