Bauru e grande região

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Tragédias anunciadas

por Maria América Ferreira

12/02/2020 - 06h00

"... são as águas de março fechando o verão..." Essa é só a letra da música porque a natureza não segue calendário. Então, as águas de fevereiro estão levando estradas, pontes, transbordando rios, invadindo casas e, infelizmente, levando vidas também. Todo ano, no período de chuvas, a história se repete.

É a natureza cobrando a conta. Esse é o sinal de que não estamos cuidando do Planeta. Esse é mais um aviso que nós seres humanos só destruímos tudo sem pensar nas consequências. Produzimos uma quantidade absurda de lixo e nos desfazemos dele sem pensar para onde vai. Sem contar a falta de educação de grande parte da população que, ao se livrar de algo que não lhe serve mais, descarta nas ruas, nos terrenos baldios e em qualquer lugar. A sujeira entope bueiros que não suportam o volume de água e devolvem tudo para as ruas.

As construções modernas são feitas de forma que todo o solo seja impermeabilizado e a água não tenha para onde escoar. A água sempre procura o caminho de descida e quem mora na parte baixa das cidades fica com a conta maior. Não há projetos apropriados para que as construções permitam a absorção da água pelo solo. As administrações públicas fazem poucas obras sob a terra. Além de não ser vistas, não rendem votos. Então, que sejam feitas pequenas obras escondidas, como a canalização de rios com tubulação menor que o necessário em baixo das grandes avenidas, essas sim, vistas a olho nu. Aí vêm as chuvas e os rios transbordam. Por outro lado, as cidades crescem a população só aumenta e as tais pequenas obras não dão conta de tudo. Nada é projetado para acompanhar o desenvolvimento.

Quando a 'fatura' chega, estamos desprevenidos e somos atingidos em cheio. Nos resta amargar o prejuízo. E os mais prejudicados, sempre, são os pobres que moram em barracos nas favelas, ou constroem suas casas nas encostas dos morros que deslizam sem querer saber o que há por perto. Pagamos com vidas as tragédias sempre anunciadas.

Nada vai mudar se não mudarmos a maneira de entender a natureza e o mais importante respeitá-la. Ela se recompõe tranquilamente porque abre seu próprio espaço.

Mas e nós? Nós vamos continuar pagando um preço alto por conta dos desatinos que cometemos todos os dias.

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