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Necessário equilíbrio entre a saúde e a economia

por Reinaldo Cafeo

26/03/2020 - 06h00

Em ambiente de pandemia provada pelo novo coronavírus, é preciso ter os pés no chão, sendo imparcial o máximo possível. Desta maneira, quero deixar claro que é o momento de deixar de lado ideologias, preferências partidárias e interesses individuais. É importante colocar as coisas nesta dimensão, porque observo uma politização desnecessária neste momento.

Os profissionais de saúde, corretamente, fazem seu trabalho. São qualificados para avaliar o que a pandemia do coranavírus representa para humanidade, e passar para a população leiga, quais os caminhos da prevenção e cura (quando é possível dada a ausência de elementos para isso). Também é verdade que os operadores do ambiente de negócios e a economia como um todo têm papel tão importante como as autoridades de saúde. Não se trata de escolher entre a vida e a economia, mesmo porque eles não concorrem, mas sim de trabalhar na convergência das duas coisas.

A geração de riqueza, em particular, depende dos setores da economia. No setor primário têm- se a extração dos alimentos, dos minérios e de tantos outros insumos necessários para que a indústria funcione. O setor secundário transforma estes insumos, as matérias-primas em produtos acabados, ou gerando equipamentos para outras indústrias e finalmente o setor terciário da economia comercializa e presta serviços a população. O setor de saúde pertence ao setor terciário, contudo, este setor sozinho não será capaz de equacionar o problema do coronavírus. Precisa de instrumentos que caminham entre os setores da economia para sua efetividade. O alimento, por exemplo, grande profilaxia no tocante à desnutrição da população, precisa sair do campo (setor primário), atingir o setor secundário (máquinas, veículos etc) e serem comercializados no setor terciário.

Como identificar neste contexto o que é essencial? Uma indústria de embalagem, por exemplo, participa da cadeia produtiva dos alimentos. Evidentemente que as estatísticas apontam caminhos do isolamento e isso poderá fazer a diferença entre mais ou menos vidas salvas e perdidas, mas não é possível trilhar em um único caminho. Insisto, as coisas não são excludentes entre si.

Entendo que parte da população, as mais carentes e com menos recursos, estará mais protegida em seu trabalho do que sua casa, muitas precárias, com elevada densidade populacional. A falta de alimento de qualidade pode fragilizar sua saúde ao ponto de não existir resistência natural para qualquer a doença. Neste prisma, empresas com rigor sanitário, com práticas modernas de gestão, com seus profissionais conscientes da dimensão do problema e com trabalho preventivo, com orientação, oferecendo condições adequadas de deslocamento, incluindo refeições balanceadas, podem produzir e ao mesmo tempo proteger. Horários flexíveis, com isolamento das pessoas que são do grupo de risco, vão ao encontro do que é preconizado pelos profissionais de saúde.

O que está posto é que é precisa mais diálogo e menos imposição. Insisto: sem viés ideológico, respeitando as opiniões dos especialistas em saúde, mas encontrando um meio termo para que a economia não pare por completo.

Para que tudo isso ocorra não podemos cair na tentação de tentar ter protagonismo neste momento, estar a aberto ao diálogo e mudar rapidamente de direção quando as coisas mudarem. Isso tudo sem falar das necessárias estratégias para recuperar a economia após tudo isso passar (que espero seja logo).

Que sejamos sábios o suficiente para equilibrar as coisas e minimizar os efeitos do novo coronavírus a população. É neste momento é que descobrimos os verdadeiros líderes.

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