Bauru e grande região

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Tempos sombrios, tempo perdido

por Rafael Moia Filho

16/04/2020 - 06h00

A pandemia que tomou de assalto o planeta a partir da localidade de Wuhan, durante algum tempo, em determinados círculos, foi chamada de "pneumonia de Wuhan", a partir da cidade na China central onde as primeiras infecções em seres humanos foram detectadas. É claro que o vírus não é chinês, mesmo que possamos rastrear sua origem a uma caverna na China; o mesmo vale para a doença causada por ele - a Covid-19. O vírus levado pelo ar e pelo mar através de passageiros em aviões e navios com vários destinos na Europa, América Central, do Norte e do Sul atingiu em cheio o coração do mundo. Neste período entre a detecção do vírus e sua contaminação no planeta, muitos líderes mundiais desprezaram a possibilidade de uma pandemia, mesmo alertados pela Organização Mundial da Saúde - OMS, muitos demoraram meses para adotar providências. Com isso, chegamos aos primeiros dias de abril com números espantosos e muito preocupantes: Brasil - 22.320 infectados e 1.225 mortos, Mundo - 1.848.119 infectados e 114.235 mortos. A chave para frear um surto é reduzir o ritmo de crescimento dos casos. Isso é o que tem conseguido a China, onde as infecções deixaram de aumentar de forma exponencial em meados de fevereiro, quando a quarentena e as medidas de distanciamento fizeram efeito. Nos países europeus, por sua vez, o vírus ainda está em expansão. Na Itália, os casos diários eram cerca de 70 no início do surto, passaram para 500 na segunda semana e atingiram os 1.700 na terceira. França, Espanha e Alemanha crescem num ritmo parecido com o italiano.

O Brasil é o país latino-americano que registra mais infecções. Mas o ritmo em que os casos crescem é, no momento, semelhante em vários países. Entretanto, o vírus além de afetar a saúde mundial, trará consigo, por conta da necessidade do isolamento social, o caos financeiro durante e após a passagem da pandemia. Será neste momento que deverão se destacar os países estruturados, com economia pujante e níveis educacionais elevados. Os países emergentes ou em desenvolvimento, como sempre, vão padecer e terão que caminhar pisando em brasas até alcançarem ao menos o mesmo nível econômico em que estavam antes da crise da Covid-19.

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