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Por trás da máscara

por Maria América Ferreira

17/04/2020 - 06h00

Há sempre um rosto desconhecido andando pelas ruas. Se estiver usando máscara, não será apenas um rosto escondido, mas todo um ser que aproveita o momento para mostrar a que veio. Se por um lado há os que demonstram medo e preocupação, o que também não é visto por trás da máscara, há outros que escondem o caráter e o desejo de colocar para fora toda maldade contida.

O isolamento social provoca muitas alterações nas pessoas. Em algumas, a possibilidade de se aproximar da família é benéfica e capaz de promover a união e o fortalecimento das relações. No entanto, há o lado obscuro e que tem sido demonstrado em números. Esse último mês, que praticamente obrigou os casais a permanecerem durante um longo período dividindo o mesmo espaço, provocou o aumento nos casos de violência contra a mulher. De acordo com informações do Ministério da Mulher, os casos praticamente dobraram se comparados ao mesmo período do ano passado.

Muitas mulheres fechadas dentro de casa com seus companheiro, não têm para onde correr e são obrigadas a suportar as agressões sejam físicas ou morais. Quase sempre o motivo alegado é que o homem bebeu demais, está desempregado e o resultado é descontar a raiva na mulher. Pode ocorrer o inverso. Mas a incidência é infinitamente menor. O que fazer? Procurar ajuda? Gritar? Denunciar e ver aquele em que ela sempre depositou confiança, ser preso? E os filhos? Normalmente eles assistem a tudo e, não raras ocasiões, acabam por ser agredidos também ao tentarem defender as mães. E os vizinhos? Eles devem se envolver ao perceberem o que acontece na casa ao lado?

É uma situação muito complicada. Da mesma forma que a solidariedade surge em todos os cantos, há que se prestar atenção também no comportamento das pessoas que nos rodeiam, e se é possível buscar ajuda quando alguém precisa de socorro. Deve-se fazer o mesmo, ao primeiro sinal de brigas ou agressões. É muito antigo o ditado que diz que 'em briga de marido e mulher, não se mete a colher'. Vidas podem ser salvas se for possível 'meter a colher' onde não se é chamado.

Além de tudo isso, a mulher que sofre violência, na maioria das vezes, não é capaz de sozinha se desvencilhar da situação. Ela precisa de ajuda. Precisa se encher de coragem e sair da enrascada que se envolveu. Um homem (ou mulher) quando deixa a máscara cair não se preocupa mais em esconder o lado psicopata que estava adormecido.

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