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Receita contra panelaço

por João Pedro Feza

19/04/2020 - 06h00

Cheguei a uma conclusão nesses tempos de grande provação sobre empenho e fidelidade: um ser humano altivo de verdade jamais abandona seu arroz. E, por isso mesmo, vai até o fim com ele. Sem aceitar interferências marcadas por puro achismo.

Fazer arroz também é ciência. Conforme caiu numa prova de concurso, "a gelatinização do amido é a reação química que caracteriza alguns atributos do arroz cozido, como a maciez e a textura. A maciez é inversamente relacionada ao teor de amilose".

E mais: "a textura, que é a resistência do grão cozido ao mastigamento, é afetada, entre outros fatores, pelas condições de cozimento - tempo e temperatura. O arroz do tipo agulhinha, com 15% a 17% de amilose, requer uma proporção de uma parte de arroz para dois partes de água".

Viu? Não é só uma fervidinha. Daí que defendo isolamento total na hora do preparo. Vira histeria se fica muita gente querendo ensinar como faz. Nada de pânico nessa hora. Não é o fim do mundo: obedecendo a ela, a ciência, o arroz que ajuda a alimentar toda uma família sairá de acordo com todas as normas internacionais. Sem ficar papa, aglomerado.

Agora, se for para se meter a dono da verdade, ofendendo quem pensa diferente, a coisa esquenta. Não serão só 5% do arroz que irão parar numa vala qualquer. E não estou sendo lunático. Tentar bom desempenho ao fogão sem se balizar nas evidências é pedir para pagar o preço lá na frente. As pessoas que fazem uma atitude dessa, hoje, daqui a pouco serão as mesmas que estarão lamentando.

Por disseminar desconhecimento e preparar de qualquer jeito, o resultado é que todos ficarão com fome. E você, com esse poder todo, passará de mito a mico justamente onde é alto o risco de panelaço: a sua própria cozinha.

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