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Progressão dos casos da Covid-19 e sua letalidade, em São Paulo e no Brasil

por Silvia Helena de Carvalho Sales Peres

19/04/2020 - 06h00

A exposição ao coronavírus, a qual é uma situação invisível, precisa ser entendida e acompanhada por nossa população. Desde 11 de março a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou a situação de pandemia da Covid-19. Muito tem sido abordado por toda a mídia, nacional e internacional, mas muitas vezes tiram o foco central que o fator biológico e utilizam apelos políticos.

A rapidez na contaminação, a necessidade de respiradores mecânicos e internação em unidades de terapia intensiva têm levando a orientação do contingenciamento social em muitos países, para que cada país possa se organizar de forma a atender as necessidades sociais, econômicas e políticas (WHO, 2020). Considerando que ainda não existem planos estratégicos prontos para serem aplicados à pandemia de coronavírus, muitas questões permanecem obscuras.

Entretanto, é sabido que ele tem taxas de transmissibilidade muito elevadas e sua letalidade não é baixa. Por meio de dados disponíveis pode-se avaliar a dimensão de transmissibilidade e a dimensão de gravidade clínica, como farei uma abordagem comparando um período curto de uma semana, entre 08-04 e 15-04, em relação aos números de casos, número de óbitos, taxa de letalidade e aumento percentual de casos e óbitos no Brasil e em São Paulo.

No dia 08-04, o número de casos da Covid-19 no Brasil e em São Paulo foi de 15.927 e 6.708, respectivamente. Já em 15-04, o número de casos subiu para 28.320 no Brasil e 9.371 em SP. Fato este que representa aumento de casos de Covid-19 de 43,76% e 39,25% para o Brasil e SP, respectivamente. Ao analisarmos durante esse mesmo período o aumento do número de óbitos, no Brasil saltou de 800 para 1.736, o que representa um crescimento de 53,91% e em SP aumentou de 428 para 778 mortos, representando 81,77%. Esses números conseguem validar a preocupação da OMS referente à necessidade do contingenciamento social, para que os profissionais da saúde não tenham que escolher entre tem direito de acesso ao respirador/entubado e ter vaga em Unidade de Terapia Intensiva. Para os casos graves, há necessidade desses recursos e se houver um número muito grande de pessoas acometidas ao mesmo tempo, isso se tornará um caos sem precedentes. A taxa letalidade atingiu no dia 15-04 6,13% e 7,04% no Brasil e em São Paulo, respectivamente.

Surgem questionamentos sobre a progressão e disseminação da Covid-19: como a Alemanha consegue manter taxas de letalidade menor que 0,5% e a Itália atingiu patamares de 10%? As possíveis justificativas se pautam no número de leitos de UTI e testagem massiva parecem explicar o porquê. E o Brasil, como estamos neste momento, adquirindo insumos necessários para a realização de maior número de testes da Covid-19, recomendação de contingenciamento social, orientações para lavagem das mãos, montando hospitais de campanha para atender casos menos graves e libera os leitos de UTIs para casos muito graves.

Os problemas sociais e econômicos assolam sempre os vulneráveis, que ficam à mercê de estratégias de políticas públicas. Frente a isso, devemos contribuir da melhor maneira, fazendo tudo que estiver ao nosso alcance para minimizar dificuldades durante o enfrentamento da pandemia. Sigamos firmes, forte, com foco e fé, que logo teremos tratamentos adequados e vacinas e assim tudo será mais fácil para se resolver.

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