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Salvo por um vira-lata

por Neto Del Hoyo

21/05/2020 - 06h00

A coisa está tão feia em 2020 que o Pentágono confirmou a existência de óvnis e ninguém deu bola. Compreensível. Afinal de contas, temos uma guerra em curso com essa pandemia e seus desdobramentos. Com tantos problemas por aqui, não sobra tempo para nos preocuparmos com extraterrestres.

Não sei se fico mais perplexo com as imagens dos óvnis ou com o reconhecimento do pentágono. Talvez tenha sido mais fácil admitir um problema de outro mundo do que o fato de que somos meros passageiros de um planeta controlado por vírus e bactérias. Aliás, outra questão que a ciência fala há muito tempo e que a humanidade simplesmente dá de ombros.

Semana passada, vasculhando minha coleção de revistas, almanaques e ácaros, encontrei uma 'Superinteressante' de 2011 com a seguinte matéria de capa: "Vírus e bactérias: os verdadeiros donos do mundo". Um texto de quase uma década que parece ter sido escrito há algumas semanas, com revelações que mostravam, em 2011, que vírus e bactérias estavam mais fortes do que nunca; e por nossa culpa. Entre os alertas, os riscos de epidemias e pandemias.

E não é que a ciência tinha razão? Me senti enganado por mim mesmo e por nossa facilidade em dar de ombros para os avisos e depois fingir que não sabíamos de nada. Parece que tudo o que acontece, já aconteceu antes e acontecerá novamente. Se é difícil acreditar em discos voadores, precisamos admitir que a ciência sempre esteve certa sobre nossa fragilidade num planeta onde sequer somos a maioria, mas que teimamos em chamar de nosso - e que, pelo visto, já tem gente de olho.

Inconformado com nossa estupidez, fui checar as últimas notícias. Fiquei surpreso ao ver uma chamada de capa - com foto - no jornal gaúcho 'Correio do Povo' que dizia: "Vira-lata teve um duplo final feliz". O mundo desabando, o dólar nas alturas, guerra de poderes, óvnis sobrevoando nosso céu e um vira-lata estampado na capa após ser resgatado de uma enchente e ganhar um novo lar.

Aquele vira-lata me salvou.

Com seu deslize, mudou a vida de, no mínimo, quatro pessoas: o bombeiro que se arriscou para salvá-lo; o morador que o adotou; o jornalista que escreveu sua história; e eu, que passei a acreditar um pouco mais no ser humano ao enxergar a resistência das pequenas coisas do mundo, apesar de outras grandiosas, deste ou de outro planeta.

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