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Da evolução para alienação

por Isadora Venturini

25/06/2020 - 05h00

Quando penso na evolução humana, penso que paramos no tempo de algum modo. Mesmo com todo o avanço tecnológico, todo o avanço na ciência e todo o acesso à informação, penso que fomos longe no progresso, porém, caminhamos pouco quando se trata de nossas capacidades humanas.

Essa pandemia, por exemplo, mostrou que o isolamento social, que antes já existia, se intensificou e evidenciou muitos dos nossos abismos sociais. Fomos nos isolando a cada dia mais dentro do nosso mundo, da nossa bolha digital, do nosso quintal social...

Daí, então, passamos da evolução para a alienação. E a negação virou a nova afirmação. "Não existe vírus. Não existe pandemia. Não existe mortes por coronavírus. Não existe fome. Não existe racismo. Não existe pobreza. Não existe homofobia. Não existe transfobia. Não existe xenofobia. Não existe gordofobia. Não existe machismo. Não existe violência contra às minorias. Não existe...."

Mas... "i daí", né? O que temos nós a ver com o "outro"? Como já dizia o tio do homem aranha, 'Tio Ben': "Com grandes poderes, vêm grandes irresponsabilidades".

Sim, troquei a última palavra pelo seu antônimo, porque é isso o que de fato temos visto: aqueles que possuem o poder o usurpam em benefício próprio, sem o compromisso com a responsabilidade que lhes foi delegada.

George Orwell quando dizia que "quanto mais a sociedade se distancia da verdade, mais ela odeia aqueles que a revelam" não estava apenas prevendo o que aconteceria no futuro, mas sim descrevendo a realidade da nossa história desde quando o mundo é mundo. Quanto mais próximos ficamos de falsas promessas, feitas, principalmente, em momentos de grandes crises, mais esquecemo-nos da verdade, mais preferimos distanciar-nos da verdade.

Não pense, entretanto, leitor, que esse é um texto de alguém sem esperança, muito embora as perspectivas não sejam assim tão boas, mas sim de alguém que acredita que é necessário procurar compreender e desvelar o que, de fato, hoje vivemos para ansiar por mudança, por um futuro diferente.

A autora é jornalista

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