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Coronavírus e a crise de 1929

por Dirceu Cardoso Gonçalves

28/06/2020 - 05h00

Apesar dos 57 mil mortos oficialmente reconhecidos no País, a pandemia do coronavírus ainda é menos letal, proporcionalmente, que a da gripe espanhola, de 1918. Cem anos atrás, éramos 28,9 milhões de habitantes e os registros indicam que morreram 35 mil. Ainda bem que governadores e prefeitos começaram a suspender, mesmo que gradativamente e nas capitais, a discutível quarentena, ou pelo menos a tornam mais "inteligente", como diz o governador João Dória. Se continuassem não permitindo a volta ao trabalho e à produção, correríamos o risco de a pandemia de hoje deixar a comparação com a gripe espanhola e encontrar o seu paralelo na crise de 1929, quando a economia do mundo entrou em parafuso a partir do "crash" da Bolsa de Nova York. Naquele ano o Brasil perdeu, da noite para o dia, todo o mercado do café, seu principal produto, responsável por três quartos das exportações nacionais.

No quadro de hoje, ninguém é capaz de prever por quanto tempo ainda teremos de conviver com cuidados e restrições para evitar a contaminação. Por isso, os governantes precisam buscar o consenso e adotar medidas coordenadas e eficientes para a Saúde, mas com o menor impacto possível à Economia. Não deveriam ouvir apenas os radicais cultores do isolamento horizontal, já que têm à disposição especialistas em saúde igualmente experientes, que pregam soluções mais brandas e também eficientes. O raciocínio é antigo, mas serve para o momento: a virtude mora no meio, não nos extremos. A população, no próprio interesse, deve de cumprir as medidas sanitárias e comportamentais aconselhadas para manter baixa a transmissão do vírus. Continuar usando máscara, evitando aglomerações, lavando as mãos com frequência e não entrando em casa ou nos locais de trabalho com as mesmas roupas e, principalmente, os calçados utilizados em áreas públicas ou de grande circulação.

Quando tudo terminar, espera-se que os centros científicos continuem a pesquisa para conhecer o mal e produzir medicamentos eficientes ao seu combate. E que os governos, finalmente, passem a investir o necessário na estrutura da Saúde Pública.

Para, na próxima tormenta, não sermos pegos tão fragilizados como ocorreu na chegada da Covid-19...

O autor é dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de SP.

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