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Prévia do PIB subiu 1,3%: o que isso significa?

por Reinaldo Cafeo

16/07/2020 - 05h00

O Banco Central brasileiro divulgou o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado a prévia do Produto Interno Bruto - PIB, e o resultado apontou alta de 1,3% em maio na comparação com o mês de abril deste ano. Afinal, o que esta alta significa? Resposta objetiva: muito pouco. Primeiramente é preciso entender a base de comparação. Este mesmo indicador observou queda de 9,73% em abril. Mesmo março não sendo um bom parâmetro, mas se assumirmos aquele mês como base 100, atingimos em abril 90,27 e agora recuperamos 1,3%, atingindo, neste exemplo, 91,57, ou seja, no acumulado de dois meses o tombo da economia é de 8,43%.

Ampliando a análise, comparando agora com maio do ano passado, o IBC-Br recuou 14,24%. Neste ano, em cinco meses, o índice acumula queda de 6,08%. Além de a alta significar pouco, fica evidenciado que o chamado "fundo do poço" da economia brasileira se deu em abril deste ano, mas a retomada é lenta. Muitas localidades e em especial o interior do estado de São Paulo foram abrigadas a cumprir quarentena desnecessariamente. O governo do Estado nivelou todo o estado pela cidade de São Paulo e o preço pago está refletido nestes números.

O lado cheio do copo é que há uma demanda reprimida. Bastou abrir um pouco a economia que os consumidores voltaram as compras. Não é um desempenho uniforme, em todos os setores da economia, mas é um indicativo que, de maneira responsável, é possível, e diria mais, necessária volta gradativa das atividades econômicas.

Não avaliar os números da economia em suas reais dimensões é virar as costas a realidade. Neste contexto é preciso praticar, coisa que não ocorreu até agora, a multidisciplinaridade em toda a sua dimensão, e mais que isso, exigir ações concretas do setor público na retaguarda da saúde, para que as atividades produtivas possam voltar à normalidade. Vale destacar que a população e o setor privado da economia em especial já deram sua dose de contribuição.

O tombo da economia neste ano deve girar em torno de 6% a 6,5% em termos reais e isso não é pouco. O desemprego e o crescimento da miséria já são realidade.

Analisar com senso crítico o que ocorre na economia, realizando a adequada leitura dos indicadores, é o mínimo que se espera de quem se colocou a serviço da população via processo eleitoral. Será que entenderam isso ou somente quando a água bater no nariz do orçamento público é que agirão?

Os números estão aí, pratiquem a capacidade analítica e ajam na direção certa.

O autor é economista, presidente da Acib. Está no Youtube, no canal Planeta Economia.

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