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O vazio nos templos de Salomão

por Waldir Ferraz de Camargo

18/07/2020 - 05h00

Quando o rei Salomão resolveu edificar em 966 a.C. o famoso templo em Jerusalém para consagrá-lo a Deus, jamais imaginaria que o melhor de seus ideais perdurasse como chama viva, vencendo as brumas do tempo, se mantendo inalterados, porém, revigorados no íntimo dos Pedreiros Livres da atualidade. O sapiente rei, dirigindo pessoalmente os canteiros da grande obra, dividiu os milhares de trabalhadores em 3 grupos distintos, sendo os Aprendizes, em número maior, encarregados do serviço braçal de talhar a pedra ainda embrutecida pela natureza. Em seguida, os Companheiros formavam um grupo seleto de pessoas hábeis cujas funções mais elaboradas, com pedras já polidas, seriam cuidadosamente justapostas resultando em refinado acabamento, sendo todos eles gerenciados pelos Mestres, autênticos engenheiros que eram os responsáveis pelos cálculos matemáticos de estrutura, formatação de ângulos e esquadrias. Concluída a obra, tamanha magnitude e beleza da edificação era motivo de honra e orgulho de seus construtores e quem a reverenciasse ainda que por um olhar distraído reconhecia claramente um trabalho que mereceu a inspiração divina.

No ano de 586 a.C., a cidade de Jerusalém foi invadida e conquistada por Nabucodonosor e o templo teve seus tesouros roubados, sendo posteriormente destruído. Entretanto, todo aquele conhecimento foi preservado e a obra de consagração às melhores virtudes humanas continua a ser erigida nos corações dos maçons de hoje que perseveram devotadamente desbastando em seu íntimo, as pedras brutas das trevas da ignorância, dos preconceitos e da intolerância, edificando o templo interior capaz de gerar a fraternidade, a justiça, a paz, e, sobretudo, o amor, enquanto força propulsora do universo.

Com a Covid-19 as Lojas Maçônicas estão fechadas, vazias, mudas, porém, não inertes. Cessaram as reuniões fraternais, o ritual inspirador, os abraços calorosos, os apertos de mãos e os sorrisos descontraídos nos ágapes após as sessões, mas a solidariedade como base fundamental da instituição continua a todo vapor. Multiplicaram-se as companhas de doações para as instituições que mais necessitam, sem qualquer alarde, conforme seus ensinamentos filosóficos, seguindo os passos da sincera filantropia. O vírus pode até conseguir por breve tempo separar fisicamente os maçons, mas jamais será capaz de romper os laços que ligam seus ideais e ainda que a angústia prevaleça motivada pela saudade do convívios dos irmãos nas Lojas, a confiança no Grande Arquiteto do Universo nos reconforta pela certeza de que tudo certamente em breve passará.

O autor é professor de História, diretor da Assoma, membro da Loja “Deus, Pátria e Família”, de Bauru, e colaborador de Opinião.

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