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Ultrapassar os muros de um contexto social estático

por Antonio Carlos da Silva Barros

29/07/2020 - 05h00

Toda reflexão, por menor que seja, segundo o autor do texto, deve estar vinculada a uma observação histórica e crítica relacionado a um determinado fato social. Existe uma cultura hodierna conhecida como a "cultura de mercado", que coloca as pessoas com subjetividade vinculada à posse de um determinado bem; e, que este mesmo mercado deve ditar o fazer da sociedade na qual está inserido.

Assim, não existe um comando da ética em suas ações; de tal maneira que a finalidade é controlar as ações dos seus grupos, conforme podemos encontrar no pensamento filosófico de Adorno e Horkheimer.

Estamos vivendo a modernidade ou pós-modernidade. Neste sentido torna-se necessário desconstruir alguns conceitos pré-concebidos, aos quais atribuem-se valores à "ciência" como a única fonte detentora do saber; vê-se o "mercado" como senhor de todas as coisas. Entretanto, tais fatores precisam ser reconsiderados frente aos novos valores da vida e da dignidade da pessoa humana, esteja onde estiver, seja quais for.

É necessário substituir o etnocentrismo em nossa vida social, e incluir uma nova reflexão que considere mais importante uma visão de referências múltiplas.

Assim, a indignação causada pela utilização, em um tabloide local, de dois valores gritantes como a vida que se esvaeceu em George Floyd, com um "pedido de suspiro para viver" e, ao mesmo tempo, a utilização de uma situação que recorda "suicídio", nos fazem refletir sobre o conflito existente entre o marketing e a ética social moderna.

A pós-modernidade está envolta de contradições; no entanto, precisamos de uma reflexão que defenda a vida e a dignidade da pessoa humana, em seus limites. Não somos seres humanos "massa" que podem ser direcionados a qualquer pensamento desenvolvido pela mídia, sem que haja respeito à diversidade de pensamento, seja este ético, religioso, político ou social.

Torço para que sejamos construtores de uma sociedade na qual todos possamos respirar!

O autor é professor de Filosofia da Etec, ex-presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB, diretor jurídico do Tucanafro do Estado de SP.

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