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A única constante é a mudança

por Danilo Carlos Avante

30/07/2020 - 05h00

Nós, humanos, estamos aqui pois mudamos, senão estaríamos vivendo em cavernas até hoje. Sei que incomoda não poder ir ao teatro, ao cinema ou a um show, quem não gostaria? Mas o que deveria nos incomodar não é essa impossibilidade temporária e sim a impossibilidade daqueles que nunca foram, antes mesmo da pandemia. O normal não seria todos terem essa possibilidade?

Antes de nos preocuparmos em voltarmos ao normal, seja ele o novo ou o velho normal, devemos aproveitar o momento para avaliar o que poderia ser melhorado, eliminado e mantido. Será que é tão complicado assim esquecer um pouco o "como éramos" e tentar compreender quais pontos do nosso sistema social precisam ser revistos? Não seria o momento para os empresários, principalmente os pequenos, funcionários de si mesmo, como eu, refletirem o quanto são manipulados por um sistema econômico que volta e meia precisa ir se socorrer no Estado? Será mesmo que o distanciamento social é o grande vilão? Na minha visão, o distanciamento social só deixou claro para alguns o que a grande maioria da população já sentia na pele há tempos. Talvez os grandes muros dos condomínios de luxo prejudiquem um pouco a visão do caos social. Creio que a essa altura já esteja claro que o problema não é o vírus, mas sim o risco do sistema de saúde colapsar e impossibilitar alguém, que muito provavelmente nunca tenha ido ao teatro, receber tratamento adequado. Portanto, fique em casa. Assim, aqueles que não podem estarão menos suscetíveis ao vírus.

Caso você seja um dos que podem ficar em casa, sugiro que aproveite o ócio e leia: Thinking in Systems, de Donella Meadows. Talvez ajude a entender que os problemas residem nos sistemas e não nas pessoas. Ou será que mesmo depois de 42 processos disciplinares arquivados vamos continuar acreditando que o problema é a pessoa do desembargador? Ou, então, ouça música, talvez seja interessante ouvir Belchior cantando, em sua alucinação: "amar e mudar as coisas me interessa mais".

O autor é colaborador de Opinião.

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