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Como explicar 2020?

por Rafael Moia Filho

02/08/2020 - 05h00

O meu querido amigo bauruense João Bidu, astrólogo e dono de uma editora, cujas previsões são publicadas em diversos jornais e revistas do país há muitos anos, fez uma previsão em dezembro de 2019 que viralizou na internet. À época, numa entrevista concedida a um jornal de Bauru, no interior paulista, ele disse: "Podemos esperar um ano mais leve do que 2019, não só para as pessoas, mas para o mundo em geral."

Ele é um homem sério, correto, trabalhador, porém, foi traído por este inusitado e atemporal ano de 2020. Um ano que ficará marcado para sempre na história deste século em que vivemos. Não encontrei ainda algum astrólogo, vidente ou quem quer que seja que tenha previsto tudo isso que estamos vivenciando neste ano de pandemia, vírus chinês e isolamento social num mundo completamente à mercê do novo, do inusitado, da ciência e do medo.

Um ano que começou com as notícias vindo do outro lado do mundo dando conta do surgimento de um vírus que poderia levar à morte. Nem os países da Europa nem os da América do Norte deram muita importância, achando que aquele vírus não chegaria tão distante. Na América do Sul, normalmente com países governados por ineptos, a tragédia anunciada não poderia ser pior.

As mudanças na sociedade começaram em março, com o estabelecimento do isolamento social, algo nunca feito nem vivido por esta nossa geração. O inusitado entrou em cena, neste momento esperava-se que com trinta dias tudo pudesse ser resolvido, o sacrifício seria pequeno diante do problema gigante. Porém, nada disso aconteceu, não houve seriedade nem dos governantes, nem dos brasileiros em geral. Em meio a boatos infundados de surgimento de medicamento para a suposta cura, lá se foi mais um tempo perdido. Os dias foram se passando e depois de 120 dias ainda temos isolamento social, casos novos surgindo, óbitos e muita confusão na saúde, economia e na vida da sociedade em geral.

A humanidade não soube lidar com o inusitado, o novo assustou e transformou o que seria difícil em algo insuportável para essa travessia de alguns meses. Desemprego, comércio fechando portas, negócios ruindo, mais de setenta mil mortos, ou seja, um caos.

Um presidente negacionista e com visão limitada, que não aproveitou a oportunidade para ser um líder, preferindo ser o bobo da corte. Governadores perdidos entre seguir a ciência e ceder a pressão da economia, deixando como sempre o rastro da corrupção à vista nas compras emergenciais e nas licitações.

Sairemos como entramos, nem melhores nem piores, não aprendemos a lição que a pandemia possibilitou, com raras exceções de gestos humanitários, vimos mais do mesmo neste quadro patético da nossa sociedade gananciosa, que pensa em si e apenas em si mesmo e no seu vil metal.

Perdemos a chance de crescer como seres humanos, de dignificarmos nossa passagem neste planeta. Não foi desta vez.

 O autor é escritor, blogger e graduado em Gestão Pública

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